Questão nº 15

Questão de Língua Portuguesa · FGV TCE-TO 2022 (nº 15)

FGV2022Comum TCE-TO - Analista TécnicoLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Texto 2
A nova era do divórcio (fragmento)

"'Novelas da Globo aumentam o número de divórcios no Brasil.' Parece fake news de haters, mas não. Trata-se de um dado histórico. A conclusão é de um estudo de 2009, feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A pesquisa fez um cruzamento entre informações de censos das décadas de 1970, 1980 e 1990 e dados sobre a expansão do sinal da Globo no país. Segundo os autores do estudo, o número de mulheres que se separaram aumentou conforme a teledramaturgia da emissora foi chegando a mais cidades.

'A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras', diz a pesquisa. [...]

O que os estudiosos do BID não poderiam prever é o quanto os divórcios aumentariam no Brasil do século 21, por um motivo ainda mais insuspeito: a disseminação de um vírus.

Segundo o Colégio Notarial do Brasil, que congrega os tabeliães de notas e protestos, no primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de 15% no número de divórcios em comparação com o ano anterior. Em 2021, então, o número de casais que oficializaram a separação bateu recorde: 80.573 divórcios consensuais, o maior da série histórica, que é registrada desde 2007.

[...] Sim, o início desnorteante da pandemia foi o gatilho para um boom de divórcios planeta afora. Motivos para a escalada nas tensões entre casais não faltaram, você sabe: o encarceramento no lar de ambos os cônjuges (condição que se estendeu indefinidamente para quem aderiu ao home office), perrengues financeiros, a necessidade de lidar com as crianças estudando em casa, distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão, paranoia…).

[...] A [empresa americana] Legal Templates mostrou que os casados há menos de cinco anos foram os que mais se separaram em 2020: 58%. Aliás, quanto menor o tempo de união oficial, maior o aumento no índice de cada um para o seu lado. Enquanto, em 2019, pré-Covid, apenas 11% dos que se separaram tinham menos de cinco meses sob o mesmo teto, em 2020 essa porcentagem quase dobrou: foi para 20%.

Estudiosos que analisaram esses dados chegaram a uma conclusão que faz sentido: casais que haviam se unido havia pouco tempo são menos calejados para enfrentar o maremoto que atingiu a praia conjugal na onda do vírus. Os parceiros mais longevos já tinham passado por outras crises. Talvez ilesos, talvez feridos. E muitos aprenderam a sair delas juntos.

[...] Nesta nova era do divórcio, vale um alerta: mesmo nas separações mais amigáveis – e até afetuosas –, romper um relacionamento de anos segue sendo tão difícil quanto sempre foi. Os primeiros tempos tendem a ser um período deprimente, de luto mesmo, acordos difíceis e de pisar em ovos. Se você se separou, vale a pena um esforço a mais para manter o bom convívio. Não apenas pelo bem dos filhos – se o casamento produziu crianças. É importante honrar uma história que, em boa parte do tempo, foi partilhada com a pessoa que um dia você amou como se fosse a única."

Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/a-nova-era-do-divorcio. Acesso em: 24/07/2022


"Segundo o Colégio Notarial do Brasil, que congrega os tabeliães de notas e protestos, no primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de 15% no número de divórcios em comparação com o ano anterior. Em 2021, então, o número de casais que oficializaram a separação bateu recorde [...]"
Muitas gramáticas ensinam que o "então" é uma conjunção conclusiva. No entanto, na passagem acima, retirada do texto 2, essa palavra apresenta um uso distinto, que é próprio do registro informal e não costuma figurar nos compêndios gramaticais.
Esse mesmo uso está presente no seguinte exemplo:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Marcadores conversacionais são palavras ou expressões que usamos no dia a dia para organizar o que falamos, mostrar nossa atitude ou conectar ideias de forma mais fluida, especialmente em conversas informais. A palavra "então", além de indicar uma conclusão ("portanto"), pode ter outros usos como marcador conversacional, cada um com um sentido específico.

  • (A) Incorreta: Neste caso, "então" tem valor de conclusão ou consequência ("por isso", "portanto"). Eu estava triste, por isso resolvi ficar em casa.
  • (B) Incorreta: Este "então" é um marcador de hesitação ou preenchimento de pausa. Ele serve para ganhar tempo para pensar ou sinalizar que uma resposta está sendo elaborada, sem adicionar um sentido de intensificação. A armadilha aqui é que, embora seja um uso informal e como marcador conversacional, sua função específica (hesitação) é diferente daquela no texto-base.
  • (C) Incorreta: Aqui, "então" funciona como um marcador de transição ou para iniciar uma ação/pergunta, como "e aí, vamos?" ou "pronto, vamos?".
  • (D) Incorreta: A expressão "até então" é uma locução adverbial de tempo, significando "até aquele momento". Não é um marcador conversacional isolado nem tem a função de intensificação.
  • (E) Correta: Assim como no texto-base ("Em 2021, então, o número de casais..."), este "então" é usado para enfatizar uma progressão a um grau maior ou uma intensificação. Se 50 já é muito, 100, então, é ainda mais (ou incalculável). No texto, se 2020 já teve aumento, 2021, então, bateu recorde, mostrando uma escalada na situação.

Fonte: FGV TCE-TO 2022 Conhecimentos Comuns (TCE-TO - Analista Técnico) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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