Questão nº 49
Questão de História do Amazonas · FGV SSP-AM 2021 (nº 49)
Leia o trecho da entrevista do escritor manauense Márcio Souza comentando um trecho de seu História da Amazônia (2019):
“Um movimento de veículos de toda a sorte, um vaivém contínuo, que parecia mais um grande centro europeu do que uma cidade tropical”, disse um viajante europeu sobre a Belém do fim do século 19. “A mais refinada das civilizações chegou até o rio Negro”, teria afirmado outro, em referência ao Teatro Amazonas, erguido em Manaus. Entre 1870 e 1910, o extrativismo da borracha trouxe prosperidade e europeização para as grandes cidades amazônicas. Algo, obviamente, desfrutado apenas por uma minoria. Por debaixo da opulência, se encontrava “a mais criminosa organização do trabalho que ainda engendrou o mais desaçamado egoísmo”, conforme a descrição de Euclides da Cunha das condições dos seringueiros em ‘À Margem da História’, citado em ‘História da Amazônia’.”
Assinale a afirmativa que interpreta corretamente os impactos do desenvolvimento da economia gomífera indicados no texto.
- AO auge da borracha atraiu massas de trabalhadores, impactando o sistema rodoviário de Belém e Manaus.
- BO sistema de trabalho nos seringais era similar ao das indústrias europeias, com longas jornadas e baixos salários.
- COs seringueiros estavam à margem da história, pois não se beneficiavam com o progresso industrial de Belém e Manaus.
- DA exportação do látex amazônico custeou o embelezamento urbano de Manaus, transformada em “Miami brasileira”.
- EA prosperidade da borracha permitiu reestruturar em estilo europeu as principais cidades da Amazônia. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A economia da borracha no Amazonas, entre 1870 e 1910, gerou uma riqueza imensa que transformou as principais cidades da região, dando-lhes um aspecto europeu e cosmopolita, mas essa prosperidade era desfrutada por uma minoria, enquanto a maioria dos trabalhadores, os seringueiros, vivia em condições de exploração brutal.
- (A) Incorreta: O texto menciona "movimento de veículos de toda a sorte" em Belém, indicando atividade urbana, mas não que o auge da borracha impactou o "sistema rodoviário" pela atração de trabalhadores; o transporte principal da borracha era fluvial, e o foco do texto é a atividade urbana, não a infraestrutura rodoviária moderna.
- (B) Incorreta: O texto descreve o trabalho nos seringais como "a mais criminosa organização do trabalho", o que contrasta fortemente com a ideia de ser "similar" às indústrias europeias, mesmo que estas tivessem condições difíceis.
- (C) Incorreta: Embora a afirmação seja verdadeira e diretamente apoiada pelo texto (que menciona que a prosperidade foi "desfrutada apenas por uma minoria" e cita Euclides da Cunha sobre os seringueiros "à margem da história"), ela foca apenas na exclusão dos trabalhadores. A questão pede uma interpretação dos impactos do desenvolvimento da economia gomífera, e o texto inicia e enfatiza a transformação urbana e a europeização como um impacto central e mais abrangente, sendo a condição dos seringueiros o contraste dessa opulência. Esta é a armadilha, pois apresenta uma verdade textual, mas não a interpretação mais completa ou central dos impactos gerais que o trecho busca descrever.
- (D) Incorreta: O texto indica o "embelezamento urbano" e a "europeização" das cidades, mas não utiliza a expressão "Miami brasileira"; esta é uma informação externa e não está contida no trecho fornecido.
- (E) Correta: O texto afirma explicitamente que "o extrativismo da borracha trouxe prosperidade e europeização para as grandes cidades amazônicas", e as descrições de Belém como "grande centro europeu" e do Teatro Amazonas em Manaus como símbolo de "civilizações refinadas" confirmam a reestruturação urbana em estilo europeu.
Fonte: FGV SSP-AM 2021 Assistente Operacional (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.