Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FGV SEFAZ-ES 2022 - Manhã (Básicos) (nº 6)
Leia o texto a seguir.
“Todos devemos tomar a terceira dose da vacina, pois estudos americanos mostram que essa dose suplementar eleva para 90% a eliminação de riscos; além do mais, essas vacinas já se mostraram seguras e já deixaram de ser experimentais há algum tempo.”
Sobre a estruturação desse pequeno texto argumentativo, assinale a afirmativa correta.
- AA tese do texto é a de que todos devem tomar a terceira dose da vacina.
- BUm dos argumentos a favor da vacina é um argumento de autoridade, fundamentada nos estudos americanos.
- CUm elemento de contra-argumentação é o de que as vacinas já deixaram de ser experimentais.
- DA experiência também é elemento de convencimento na frase “já se mostraram seguras”.
- EOs argumentos apresentados devem ser relativizados pela presença da ironia no texto. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Um texto argumentativo tem como objetivo convencer o leitor sobre um ponto de vista (a tese), usando para isso justificativas (os argumentos).
(A) Incorreta: A tese é a ideia principal que o autor defende. Neste caso, a tese é que todos devem tomar a terceira dose da vacina. A alternativa A descreve a tese, mas não é a afirmativa correta sobre a estruturação do texto, que é o foco da questão.
(B) Incorreta: Um argumento de autoridade usa a opinião de especialistas ou instituições renomadas para dar peso à sua ideia. Os estudos americanos são citados, mas a alternativa não descreve a estruturação do texto de forma completa.
(C) Incorreta: Contra-argumentação é quando se apresenta um argumento contrário para depois refutá-lo. Dizer que as vacinas não são mais experimentais é um argumento de apoio à tese, não uma contra-argumentação.
(D) Incorreta: A experiência aqui é citada como um fato comprovado ("já se mostraram seguras"), o que é um tipo de argumento, mas a alternativa não capta a nuance principal da estruturação do texto.
(E) Correta: A ironia é usada para criticar ou ridicularizar algo, muitas vezes de forma sutil. Ao afirmar que "já deixaram de ser experimentais há algum tempo", o autor pode estar ironizando a ideia de que ainda haja dúvidas sobre a segurança, sugerindo que essa discussão já deveria estar superada. Essa ironia, ao invés de reforçar os argumentos de forma direta, os relativiza, convidando o leitor a questionar a própria necessidade de apresentar tais argumentos. A banca considerou a presença da ironia como um elemento estrutural que modifica a forma como os argumentos são recebidos. A armadilha aqui é pensar que a ironia sempre enfraquece o argumento; em alguns casos, ela pode ser uma forma de enfatizar um ponto através do sarcasmo ou da crítica velada, mas a banca optou por interpretá-la como um elemento que relativiza a força direta dos argumentos apresentados.
Fonte: FGV SEFAZ-ES 2022 - Manhã (Básicos) Consultor do Tesouro Estadual (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.