Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · FGV PMS 2019 (nº 11)
"Antigamente o homem tinha a impressão de que os recursos da natureza eram infinitos. O caçador de mamutes via muitos deles e só conseguia capturar um ou outro, entendendo assim que seu número era infindável. A noção de que a natureza é infinita mudou a partir do momento em que o homem, dominando a técnica, fabricou máquinas capazes de, em poucos dias, destruir uma floresta; ou, indo a extremos, acabar com o mundo em minutos caso resolva experimentar algumas de suas bombas atômicas."
Assinale a opção em que a forma "entendendo assim" fica corretamente substituída, mantendo seu sentido original.
- Aquando entendia
- Bcaso entendesse
- Cà proporção que entendia
- Dpois entendia (alternativa correta)
- Eapesar de entender
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O gerúndio, aqui, expressa uma causa ou justificativa para o que foi dito antes: o caçador entendia que os mamutes eram infinitos porque via muitos e capturava poucos. A ideia não é de tempo, condição, proporção ou concessão, mas de motivo.
- (A) Incorreta: "quando entendia" muda o sentido para tempo (na ocasião em que entendia), e não explica o porquê da impressão de infinitude.
- (B) Incorreta: "caso entendesse" cria uma condição (se entendesse), o que não existe no original — o caçador já entendia de fato.
- (C) Incorreta: "à proporção que entendia" indica proporcionalidade (à medida que), mas o texto afirma uma conclusão lógica, não um crescimento paralelo.
- (D) Correta: "pois entendia" é a conjunção causal perfeita: o gerúndio "entendendo" equivale a "porque entendia", mantendo a relação de causa e efeito entre a observação dos mamutes e a conclusão sobre seu número.
- (E) Incorreta: "apesar de entender" expressa concessão (contraste), o que inverteria a lógica: o caçador entenderia algo apesar da evidência, e não por causa dela.
Armadilha da banca: a letra (C) é a mais tentadora, pois "à proporção que" também pode indicar uma relação lógica. Mas a banca quer que você perceba que o gerúndio aqui não é proporcional (não há ideia de "quanto mais via, mais entendia"), e sim explicativo — ele justifica o pensamento do caçador. Quem escolhe (C) confunde "causa" com "proporção", caindo na pegadinha clássica de trocar conectivos lógicos.
Fonte: FGV PMS 2019 Agente de Trânsito e Transporte (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.