Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FGV MPGO Servidores 2022 (nº 5)
"Vamos arranjar um nome inventado para a cidade: Maranguaia. E também um nome para o coronel: Juca Brito. Mas que a cidade fique na sua paisagem verdadeira, com o pequeno córrego perene fertilizando um vale dentro de um mundo de léguas de caatinga, no fundo do sertão. E o coronel fique na sua varanda, cheia de gaiolas de passarinhos. Ali perto, enjaulados como feras, dois imensos cães dinamarqueses. Um campo para criação de ema. E – luxo estranho no sertão – pavões reais. Foi o que vimos na visita rápida, quando nosso carro entrou pelo parque da fazenda, entre juazeiros e tamarineiros. O coronel Juca Brito é dono da casa, da cidade, do município, do sertão, do mundo."
(O coronel, 12/05/1951)
"Vamos arranjar um nome inventado para a cidade: Maranguaia. E também um nome para o coronel: Juca Brito. Mas que a cidade fique na sua paisagem verdadeira..."
Esses segmentos iniciais do texto mostram
- Aa informação de que o texto é literário, já que se apoia em elementos fictícios.
- Ba preocupação de não identificar os personagens, certamente por algo que será dito nos segmentos futuros da crônica. (alternativa correta)
- Ca tentativa de universalizar as observações da crônica, pois elas servem para todos os representantes do coronelismo.
- Da intenção de preservar o fundamental do texto, que é a influência do meio sobre o homem.
- EO direcionamento crítico do texto, com a declaração de serem inventados personagem e local.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Quando um autor diz que vai usar nomes inventados para pessoas ou lugares, ele está avisando que, embora a história possa parecer real ou se basear em fatos, ele não quer apontar para indivíduos ou locais específicos. Isso geralmente acontece para proteger a identidade de pessoas reais ou para evitar problemas legais, especialmente se o texto for crítico ou abordar temas sensíveis.
(A) Incorreta: Embora o texto seja literário e se apoie em elementos fictícios, a declaração explícita de "nomes inventados" não é apenas uma informação de que é literário. Muitos textos literários não fazem essa ressalva. O foco aqui é a razão para essa invenção.
(B) Correta: A escolha de "arranjarmos um nome inventado" para a cidade e o coronel, enquanto a paisagem permanece "verdadeira", indica uma clara intenção de não identificar pessoas ou locais reais. Essa precaução é comum em textos que podem ter um teor crítico ou delicado, como a descrição de um coronel com poder absoluto, sugerindo que o que virá a seguir pode ser controverso ou sensível.
(C) Incorreta: A universalização pode ser uma consequência do uso de nomes fictícios, mas a ação imediata de "inventar um nome" é a de não identificar. A universalização seria um objetivo secundário, e a frase não a expressa diretamente como a principal intenção.
(D) Incorreta: A influência do meio sobre o homem é um tema presente no texto (a descrição da caatinga e do poder do coronel), mas os segmentos iniciais que falam sobre "nomes inventados" não têm como objetivo principal preservar esse tema. Eles servem a uma função de distanciamento e proteção.
(E) Incorreta: Esta é a alternativa mais tentadora (distrator). A declaração de nomes inventados pode ser uma estratégia para permitir um direcionamento crítico, pois protege o autor. No entanto, a alternativa B é mais precisa ao focar na preocupação de não identificar como a ação direta e imediata da escolha do autor, e o "direcionamento crítico" seria a razão ou consequência dessa não identificação, não a própria declaração. A declaração em si é um ato de não-identificação, que permite a crítica.
Fonte: FGV MPGO Servidores 2022 Conhecimentos Comuns (Superior MPGO) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.