Questão nº 18
Questão de Língua Portuguesa · FGV DPGE-RJ 2019 (nº 18)
Em linhas gerais a arquitetura brasileira sempre conservou a boa tradição da arquitetura portuguesa. De Portugal, desde o descobrimento do Brasil, vieram para aqui os fundamentos típicos da arquitetura colonial. Não se verificou, todavia, uma transplantação integral de gosto e de estilo, porque as novas condições de vida em clima e terras diferentes impuseram adaptações e mesmo improvisações que acabariam por dar à do Brasil uma feição um tanto diferente da arquitetura genuinamente portuguesa ou de feição portuguesa. E como arquitetura portuguesa, nesse caso, cumpre reconhecer a de característica ou de estilo barroco”. (Luís Jardim, Arquitetura brasileira. Cultura, SP: 1952)
As preposições, em língua portuguesa, ora são empregadas por uma exigência gramatical de um termo anterior, ora por necessidades semânticas, não sendo de emprego obrigatório. No texto 2, o único exemplo de emprego obrigatório, exigido gramaticalmente, é:
- A“boa tradição da arquitetura portuguesa”;
- B“De Portugal, desde o descobrimento do Brasil”;
- C“fundamentos típicos da arquitetura colonial”;
- D“transplantação integral de gosto”; (alternativa correta)
- E“uma feição um tanto diferente da arquitetura genuinamente portuguesa”.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
As preposições podem ser exigidas por uma palavra anterior (regência) ou usadas para adicionar sentido (semântica). A regência ocorre quando um verbo, substantivo ou adjetivo pede uma preposição para completar seu sentido, tornando-a gramaticalmente obrigatória.
- A) Incorreta: "Tradição" é um substantivo. "Da arquitetura portuguesa" especifica o tipo de tradição. Embora "tradição de algo" seja comum, o "de" aqui pode ser visto como introduzindo um adjunto adnominal (que pode ser substituído por um adjetivo, como "tradição arquitetônica"), e não um complemento nominal estritamente exigido para a completude do sentido de "tradição" em todas as suas ocorrências.
- B) Incorreta: "De Portugal" indica origem (adjunto adverbial de lugar). "Desde o descobrimento" indica tempo (adjunto adverbial de tempo). Nenhuma palavra anterior exige gramaticalmente essas preposições; elas apenas introduzem circunstâncias.
- C) Incorreta: "Fundamentos" é um substantivo. "Da arquitetura colonial" especifica os fundamentos. Assim como em (A), o "de" pode ser interpretado como introduzindo um adjunto adnominal (substituível por "fundamentos arquitetônicos coloniais"), e não um complemento nominal de exigência gramatical absoluta.
- (D) Correta: "Transplantação" é um substantivo abstrato que indica uma ação (de "transplantar"). Esse substantivo exige a preposição "de" para introduzir o complemento nominal que indica o que foi transplantado ("transplantação de gosto", "transplantação de órgãos"). Sem o "de", a construção "transplantação gosto" seria agramatical e o sentido do substantivo ficaria incompleto. É uma exigência gramatical direta e indispensável.
- E) Incorreta: "Diferente" é um adjetivo que rege a preposição "de" para introduzir o termo de comparação ("diferente de algo"). No entanto, o adjetivo "diferente" pode aparecer sem um complemento explícito ("Ele é diferente"), onde o termo de comparação fica implícito. A "armadilha" da banca aqui é que, embora a regência seja clara quando o complemento é explícito, a preposição não é considerada uma exigência absoluta para a existência do adjetivo, mas sim para a especificação da comparação.
Fonte: FGV DPGE-RJ 2019 Técnico Médio de Defensoria Pública (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.