Questão nº 19

Questão de Português · FGV DPGE-RJ 2014 (nº 19)

FGV2014Técnico Médio da DefensoriaPortuguês
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CIDADE URGENTE

Os problemas da expansão urbana estão na conversa cotidiana dos milhões de brasileiros que vivem em grandes cidades e sabem "onde o sapato aperta". São reféns do metrô e do ônibus, das enchentes, da violência, da precariedade dos serviços públicos. No vestibular, todo estudante depara com a "questão urbana" e os pesquisadores se debruçam sobre o assunto, que também é parte significativa da pauta dos meios de comunicação.

Não poderia ser diferente: com 85% da população nas cidades (chegará a 90% ao final desta década), quem pode esquecer a relevância do tema?

Parece incrível, mas os grandes operadores do sistema econômico e político tratam os problemas das cidades como grilos que irritam ao estrilar. Passados os incômodos de cada crise, quem ganha dinheiro no caos urbano toca em frente seus negócios e quem ganha votos, sua campanha. Só alguns movimentos populares e organizações civis – Passe Livre, Nossa São Paulo e outros – insistem em plataformas, debates e campanhas para enfrentar os problemas e encontrar soluções sustentáveis.

A criação do Ministério das Cidades, no governo Lula, fazia supor que o Brasil enfrentaria o desafio urbano, integrando as políticas públicas no âmbito municipal, estabelecendo parâmetros de qualidade de vida e promovendo boas práticas. Passados quase 12 anos, o ministério é mais um a ser negociado nos arranjos eleitorais.

A gestão é fragmentada, educação para um lado e saúde para outro, habitação submetida à especulação imobiliária, saneamento à espera de recursos que vão para as grandes obras de fachada, transporte inviabilizado por um século de submissão ao mercado do petróleo. A fragmentação vem do descompasso entre União, Estados e municípios, desunidos por um pacto antifederativo, adversários na disputa pelos tributos que se sobrepõem nas costas dos cidadãos.

(....) Uma nova gestão urbana pode nascer com a participação das organizações civis e movimentos sociais que acumularam experiências e conhecimento dos moradores das periferias e usuários dos serviços públicos. Quem vive e estuda os problemas, ajuda a achar soluções.

Marina Silva, Folha de São Paulo, 7/1/2014.


O texto "Cidade Urgente" foi publicado na página de editoriais da Folha de São Paulo. A autora sugere um conjunto de medidas para que a "questão urbana" se modifique; entre essas medidas NÃO está presente

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Inferência é a habilidade de compreender o que o autor quis dizer sem que esteja escrito de forma explícita, ou seja, tirar conclusões lógicas a partir das informações fornecidas no texto.

(A) Correta: A autora descreve a realidade da expansão urbana e seus problemas, mas em nenhum momento sugere a redução do número de habitantes nas cidades como uma medida para resolver a "questão urbana".
(B) Incorreta: O texto lamenta que o Ministério das Cidades tenha se tornado "mais um a ser negociado nos arranjos eleitorais", o que implica que ele deveria voltar à sua função original de enfrentar o desafio urbano.
(C) Incorreta: O texto critica a "gestão é fragmentada" e o "descompasso entre União, Estados e municípios", sugerindo que a não fragmentação (ou integração) da gestão seria uma solução.
(D) Incorreta: O texto menciona que o "saneamento [está] à espera de recursos que vão para as grandes obras de fachada", indicando que a canalização de mais recursos (e de forma mais eficaz) para o saneamento é uma medida necessária.
(E) Incorreta: O texto afirma que "Uma nova gestão urbana pode nascer com a participação das organizações civis e movimentos sociais", indicando claramente que essa participação é uma medida sugerida.

Fonte: FGV DPGE-RJ 2014 Técnico Médio da Defensoria (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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