Questão nº 17

Questão de Português · FGV DPGE-RJ 2014 (nº 17)

FGV2014Técnico Médio da DefensoriaPortuguês
Gabarito: Bver comentário ↓

CIDADE URGENTE

Os problemas da expansão urbana estão na conversa cotidiana dos milhões de brasileiros que vivem em grandes cidades e sabem "onde o sapato aperta". São reféns do metrô e do ônibus, das enchentes, da violência, da precariedade dos serviços públicos. No vestibular, todo estudante depara com a "questão urbana" e os pesquisadores se debruçam sobre o assunto, que também é parte significativa da pauta dos meios de comunicação.

Não poderia ser diferente: com 85% da população nas cidades (chegará a 90% ao final desta década), quem pode esquecer a relevância do tema?

Parece incrível, mas os grandes operadores do sistema econômico e político tratam os problemas das cidades como grilos que irritam ao estrilar. Passados os incômodos de cada crise, quem ganha dinheiro no caos urbano toca em frente seus negócios e quem ganha votos, sua campanha. Só alguns movimentos populares e organizações civis – Passe Livre, Nossa São Paulo e outros – insistem em plataformas, debates e campanhas para enfrentar os problemas e encontrar soluções sustentáveis.

A criação do Ministério das Cidades, no governo Lula, fazia supor que o Brasil enfrentaria o desafio urbano, integrando as políticas públicas no âmbito municipal, estabelecendo parâmetros de qualidade de vida e promovendo boas práticas. Passados quase 12 anos, o ministério é mais um a ser negociado nos arranjos eleitorais.

A gestão é fragmentada, educação para um lado e saúde para outro, habitação submetida à especulação imobiliária, saneamento à espera de recursos que vão para as grandes obras de fachada, transporte inviabilizado por um século de submissão ao mercado do petróleo. A fragmentação vem do descompasso entre União, Estados e municípios, desunidos por um pacto antifederativo, adversários na disputa pelos tributos que se sobrepõem nas costas dos cidadãos.

(....) Uma nova gestão urbana pode nascer com a participação das organizações civis e movimentos sociais que acumularam experiências e conhecimento dos moradores das periferias e usuários dos serviços públicos. Quem vive e estuda os problemas, ajuda a achar soluções.

Marina Silva, Folha de São Paulo, 7/1/2014.


Sobre a estrutura sintática do período "Quem vive e estuda problemas, ajuda a achar soluções" a única alternativa com uma afirmação correta é

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Para entender a estrutura de uma oração, identificamos o sujeito (quem pratica ou sofre a ação do verbo) e o predicado (a ação e seus complementos).

  • (A) Incorreta: O período é composto por subordinação ("Quem vive e estuda problemas" é uma oração subordinada substantiva subjetiva do verbo "ajuda") e coordenação (entre os verbos "vive" e "estuda"), não apenas por coordenação.
  • (B) Correta: Na oração "Quem vive e estuda problemas", o pronome "quem" é o sujeito dos verbos "vive" e "estuda". A oração inteira "Quem vive e estuda problemas" funciona como sujeito do verbo principal "ajuda".
  • (C) Incorreta: O termo "problemas" é o objeto direto do verbo "estuda". O predicativo é uma característica atribuída ao sujeito ou ao objeto, não o próprio objeto.
  • (D) Incorreta: O termo "soluções" é o objeto direto do verbo "achar" (quem acha, acha algo). Objeto indireto seria introduzido por preposição.
  • (E) Incorreta: Na construção "Quem vive e estuda problemas", o termo "problemas" pode ser interpretado como o complemento direto de ambos os verbos ("vive [os] problemas e estuda problemas"), por elipse. Se for assim, os complementos seriam os mesmos. A armadilha aqui é que, embora "vive" possa ser intransitivo, a construção sugere um complemento compartilhado, tornando a afirmação "possuem complementos diferentes" incorreta nessa interpretação comum.

Fonte: FGV DPGE-RJ 2014 Técnico Médio da Defensoria (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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