Questão nº 21
Questão de História do Amazonas · FGV CBMAM 2021 (nº 21)
Em meados do séc. XVIII, no reinado de D. José I (1750-1777), seu principal ministro, o Marquês de Pombal, desenvolveu uma política que classificava os jesuítas como inimigos dos interesses da coroa portuguesa.
Nesse contexto, os jesuítas eram acusados de
- Aaproveitarem-se de sua condição de missionários para controlar o trabalho dos índios, prejudicando os colonos. (alternativa correta)
- Bserem agentes da coroa espanhola, motivo pelo qual foram substituídos pelos mercedários no vale amazônico.
- Cpromoverem a secularização da administração dos aldeamentos que concentravam índios não cristianizados.
- Dcompetirem com as companhias comerciais monopolistas lusas, sobretudo com a Companhia das Índias Orientais.
- EDescuidarem da educação dos colonos, ofício ao qual deveriam se restringir a partir das reformas pombalinas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
No século XVIII, o Marquês de Pombal via os jesuítas como um obstáculo ao poder absoluto da Coroa Portuguesa e ao desenvolvimento econômico da colônia, especialmente na Amazônia, devido ao grande controle que exerciam sobre os povos indígenas.
(A) Correta: Os jesuítas, por meio das missões e aldeamentos, detinham o controle sobre a mão de obra indígena, que era essencial para a exploração dos recursos naturais da Amazônia. Essa autonomia jesuítica impedia que os colonos (particulares) e a própria Coroa tivessem acesso direto e irrestrito a essa força de trabalho, gerando conflito de interesses e prejudicando os planos econômicos e de centralização do poder de Pombal.
(B) Incorreta: A principal acusação contra os jesuítas não era de serem agentes da coroa espanhola. Embora houvesse disputas territoriais com a Espanha, a motivação para a expulsão era o controle político e econômico dentro do próprio império português. Além disso, não foram os mercedários que os substituíram de forma generalizada. A armadilha aqui é a ideia de rivalidade externa, que não era o foco da acusação.
(C) Incorreta: A "secularização da administração dos aldeamentos" (passar o controle das aldeias indígenas dos religiosos para administradores civis) foi uma medida adotada por Pombal após a expulsão dos jesuítas, e não algo que os jesuítas promoviam. Pelo contrário, eles resistiam a essa ideia, pois significava a perda de seu poder.
(D) Incorreta: Embora os jesuítas tivessem atividades econômicas em suas missões, a Companhia das Índias Orientais era uma empresa holandesa/britânica que operava na Ásia, não uma companhia portuguesa que atuava na Amazônia. Pombal criou a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, e os jesuítas competiam com ela, mas a alternativa cita a empresa errada e a competição comercial não era a única nem a principal acusação.
(E) Incorreta: Os jesuítas eram, na verdade, muito atuantes na educação, sendo responsáveis por grande parte do ensino na colônia. Acusá-los de "descuidarem da educação dos colonos" é historicamente incorreto. A ideia de restringir-se à educação não era a base da acusação para a expulsão, que focava mais no poder político e econômico.
Fonte: FGV CBMAM 2021 Soldado Bombeiro Militar (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.