Questão nº 13
Questão de História e Geografia de Rondônia · FGV ALE-RO 2018 (nº 13)
A preocupação portuguesa em ocupar a região estava inserida, em um primeiro momento, no contexto da defesa do território. Ou seja, foram “razões de guerra” que motivaram os portugueses a investir em empreendimentos como fortificações de defesa na região. Os portugueses se arriscavam nessa empreitada mesmo ainda não conhecendo o potencial econômico da Amazônia. Tinham apenas a noção de que seu principal rio, o Amazonas, era uma excepcional via de comunicação e penetração no território e de defesa contra os “invasores estrangeiros”.
Assinale a afirmativa que exemplifica corretamente o relato do autor a respeito da posição da coroa portuguesa para a região amazônica.
- AA defesa do território foi realizada mediante a construção de fortificações, como a do Real Forte Príncipe da Beira (1775), baluarte de proteção que garantia aos portugueses a posse e o domínio da capitania do Maranhão.
- BA instalação das reduções jesuítas em Chiquitos e Moxos fazia parte de uma política de ocupação lusa do território da bacia amazônica ampliado pelo Tratado de Madrid (1750).
- CA abertura de caminhos fluviais se deu por expedições, como a de Manuel Félix de Lima que, ao comercializar com os jesuítas de Moxos, mostrou a viabilidade da navegação entre os rios Guaporé, Mamoré, Madeira e Amazonas (1742). (alternativa correta)
- DO capitão general Antônio Rolim de Moura, para confirmar a presença lusa, fundou a vila capital, Vila Bela da Santíssima Trindade (1752), à margem direita do rio Jauru, para supervisionar o acesso às minas de Mato Grosso.
- EA administração pombalina (1750-1777) pretendia consolidar o domínio português na região amazônica mediante a integração de índios e africanos à sociedade colonial, estimulando casamentos interraciais.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: No início da colonização, Portugal não via a Amazônia como mina de ouro, mas como território estratégico para impedir que franceses, holandeses e ingleses tomassem a região. A ocupação era, antes de tudo, uma ação militar e de reconhecimento geográfico — por isso, expedições que mapeavam rios e provavam a navegabilidade eram tão valiosas quanto fortalezas.
- (A) Incorreta: O Real Forte Príncipe da Beira (1775) fica no rio Guaporé, em Rondônia, e protegia a fronteira oeste (Mato Grosso), não a capitania do Maranhão — a banca troca a função geográfica do forte para confundir.
- (B) Incorreta: As reduções jesuítas de Chiquitos e Moxos eram espanholas (na atual Bolívia), não uma política de ocupação lusa; o Tratado de Madrid (1750) apenas definiu limites, não criou reduções portuguesas.
- (C) Correta: A expedição de Manuel Félix de Lima (1742) foi um reconhecimento fluvial pioneiro: ao navegar do Guaporé ao Amazonas para comerciar com jesuítas espanhóis, ele provou que os rios eram interligados — isso deu a Portugal o conhecimento geográfico necessário para futuras fortificações e defesa territorial, exatamente o que o texto do enunciado descreve.
- (D) Incorreta: Vila Bela da Santíssima Trindade (1752) foi fundada por Rolim de Moura, sim, mas sua função era proteger as minas de Mato Grosso (fronteira sul), não a Amazônia em si — a pegadinha aqui é associar qualquer fundação do século XVIII à defesa amazônica.
- (E) Incorreta: A política pombalina de integração de índios e africanos (casamentos interraciais) era uma estratégia demográfica e administrativa, mas o texto do enunciado fala especificamente de “razões de guerra” e fortificações — a alternativa troca o motivo militar pelo social.
Armadilha da banca na (D): Ela é a mais tentadora porque cita um evento histórico real (Vila Bela, 1752) e um personagem importante (Rolim de Moura). O erro está em deslocar o objetivo: Vila Bela foi criada para vigiar o acesso às minas de ouro de Mato Grosso, não para defender a bacia amazônica — a banca conta que você confunda “fronteira oeste” com “Amazônia”.
Fonte: FGV ALE-RO 2018 Assistente Legislativo - Técnico em Informática (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.