Questão nº 2
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT6 2025 (nº 2)
"Na medida do possível"
Nada mais elegante que dizer "na medida do possível". Que seria de nós sem a medida do possível? Sem a sensatez do senso de medida? Nada melhor do que viver — viver na medida do possível. "Você me ama?" "Na medida do possível". "Você é honesto?" "Na medida do possível." "Você quer viver eternamente?" "Na medida do possível". "Você está me dando o fora?" "Na medida do possível".
Falando agora mais a sério, essa expressão é também um índice da maturidade modesta: pode indicar o cuidado realista de quem prefere não exagerar em nada e contar com os imprevistos, com os grandes obstáculos que surgem inopinadamente. Ela será mais comumente utilizada por adultos, por pessoas já experientes; difícil imaginar jovens dizendo "na medida do possível", quando a tendência deles é contar com medidas radicais.
Entre as correntes filosóficas, talvez a do estoicismo seja a que melhor absorva a força dessa expressão. Um estoico não desafia as forças do destino: ele as respeita e conta sempre com a possibilidade de deparar com um desafio invencível, diante do qual ele manterá uma reação sóbria de quem resiste, sim, mas na medida do possível. Na linguagem comum, um estoico seria aquele que se recusa a dar murro em ponta de faca. Ele buscará se conter, na medida do possível.
A frase Que seria de nós sem a medida do possível? ganha nova, correta e coerente redação em:
- AHaveríamos de ser quem, na medida que o possível nos faltasse?
- BCaso a medida do possível viesse ausentar-nos, quem seríamos?
- CFaltando-nos a medida do possível, o que haveria de ocorrer conosco? (alternativa correta)
- DOnde chegaríamos se não nos contemplasse com a medida do possível?
- EQuem seríamos se a medida do possível não viesse ao encontro de nós?
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Reescrever uma frase significa expressar a mesma ideia com palavras diferentes, mantendo o sentido original, a correção gramatical e a coerência. É como dizer a mesma coisa de outro jeito, sem mudar o que se quer comunicar.
(A) Incorreta: A construção "Haveríamos de ser quem" é pouco natural e gramaticalmente questionável no contexto, sendo "Quem seríamos" a forma mais adequada. Além disso, "na medida que" é menos preciso que "caso" ou "se" para introduzir a condição.
(B) Incorreta: A expressão "viesse ausentar-nos" não é a mais adequada para traduzir "sem a medida do possível". "Ausentar-nos" significa "nos tornar ausentes" ou "nos afastar", enquanto o original sugere a falta ou ausência de algo para nós. A armadilha aqui é que "Caso" e "quem seríamos" estão corretos, mas o verbo "ausentar" não se encaixa perfeitamente no sentido de "faltar" ou "não ter".
(C) Correta: A frase "Faltando-nos a medida do possível" utiliza o gerúndio com valor condicional, equivalente a "Se a medida do possível nos faltasse" ou "Caso a medida do possível nos faltasse", mantendo o sentido de "sem a medida do possível". A pergunta "o que haveria de ocorrer conosco?" é uma reescrita perfeita e coerente de "Que seria de nós?", expressando a consequência da falta.
(D) Incorreta: "Onde chegaríamos" altera o foco da pergunta. A frase original questiona sobre "o que seríamos" ou "o que aconteceria conosco" (nosso estado, nossa existência), e não sobre um destino ou lugar ("onde chegaríamos").
(E) Incorreta: A expressão "não viesse ao encontro de nós" é um pouco rebuscada e menos direta para transmitir a ideia de "sem" ou "faltando". Embora gramaticalmente possível, não é a reescrita mais concisa e fiel ao sentido de ausência ou falta que a frase original sugere.
Fonte: FCC TRT6 2025 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.