Questão nº 10
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT4 2022 (nº 10)
Atenção: Para responder às questões de números 01 a 10, considere um trecho do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
– Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...
Que abismo que há entre o espírito e o coração! O espírito do ex-professor, vexado daquele pensamento, arrepiou caminho, buscou outro assunto, uma canoa que ia passando; o coração, porém, deixou-se estar a bater de alegria. Que lhe importa a canoa nem o canoeiro, que os olhos de Rubião acompanham, arregalados? Ele, coração, vai dizendo que, uma vez que a mana Piedade tinha de morrer, foi bom que não casasse; podia vir um filho ou uma filha... – Bonita canoa! – Antes assim! – Como obedece bem aos remos do homem! – O certo é que eles estão no Céu!
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala, um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja, – primor de argentaria, execução fina e acabada.
(Machado de Assis. Quincas Borba. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)
Quem o visse, [...], cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta (1º parágrafo)
Os sujeitos dos verbos sublinhados são, respectivamente,
- A"Quem" e "eu" (o narrador).
- B"Quem" e "Quem o visse". (alternativa correta)
- C"Rubião" e "Quem o visse".
- D"Quem" e "Rubião".
- E"Rubião" e "eu" (o narrador).
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O sujeito é o termo da oração que indica quem pratica ou sofre a ação verbal, ou sobre quem se faz uma declaração. Para identificá-lo, perguntamos "Quem?" ou "O quê?" antes do verbo.
Análise da frase: "Quem o visse, [...] cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta"
- Verbo "visse": Perguntamos "Quem visse?". A resposta é o pronome "Quem", que atua como sujeito.
- Verbo "cuidaria": Perguntamos "Quem cuidaria?". A resposta é a oração inteira "Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo". Esta é uma oração subordinada substantiva subjetiva, funcionando como sujeito do verbo principal "cuidaria".
(A) Incorreta: O sujeito de "cuidaria" não é o narrador; a estrutura da frase indica que a ação de "cuidar" é atribuída a "Quem o visse".
(B) Correta: O sujeito de "visse" é "Quem". O sujeito de "cuidaria" é a oração subordinada substantiva subjetiva "Quem o visse", que funciona como o termo que pratica a ação de "cuidar".
(C) Incorreta: "Rubião" não é o sujeito de "visse" nem de "cuidaria" nesta construção específica, embora a frase se refira a ele indiretamente. O sujeito gramatical é "Quem" e a oração "Quem o visse".
(D) Incorreta: O sujeito de "cuidaria" não é apenas "Rubião"; é a oração completa "Quem o visse".
(E) Incorreta: "Rubião" não é o sujeito de "visse", e o narrador não é o sujeito de "cuidaria" na estrutura gramatical apresentada.
Fonte: FCC TRT4 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Engenharia (Civil) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.