Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT20 2024 (nº 9)

FCC2024Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

A lembrança de Torre di Venere evoca uma atmosfera desagradável. Torre fica a cerca de quinze quilômetros de Portoclemente, uma das cidades de veraneio prediletas à margem do mar Tirreno, com uma colorida avenida à beira-mar repleta de hotéis e lojas, gente bronzeada e uma estrondosa indústria da diversão. Margeada de pinhos, a praia mantém ao longo de toda a costa a sua cômoda amplidão de areia fina, portanto não admira que não muito adiante tenha-se aberto uma concorrente mais sossegada. Torre é, como destino turístico, uma ramificação do balneário vizinho e já foi um idílio. Mas, como costuma acontecer com lugares assim, a paz foi há muito obrigada a deslocar-se um trecho mais adiante; o mundo, como se sabe, busca-a e expulsa-a. Foi assim que Torre, ainda que mais introspectiva e modesta que Portoclemente, caiu no gosto de italianos e estrangeiros.

Torre ganhou um Grand Hôtel (onde havíamos reservado quartos). Surgiram inúmeras pensões, luxuosas e mais simples. Em julho, agosto, fervilham berros, brigas, gritos de júbilo de banhistas, cuja pele da nuca se descasca por causa de um sol esturricante. Tal era o aspecto da praia de Torre quando chegamos.

Na noite de nossa chegada ao Grand Hôtel, quando aparecemos para o jantar, fomos guiados até uma mesa pelo garçom responsável. Não havia nenhuma objeção a fazer a essa mesa, mas nos cativou a vista da varanda de vidro contígua, que dava para o mar e sobre cujas mesinhas cintilavam lamparinas de abajur vermelho. Os pequenos se mostraram encantados com essa magnificência, e manifestamos de forma singela a decisão de que preferíamos fazer a nossa refeição na varanda – uma declaração de ignorância, como restou claro, pois nos fizeram entender com uma cortesia algo constrangida que aquele aconchegante ambiente era destinado "aos nossos clientes". Nossos clientes? Mas isso éramos nós. Não estávamos de passagem ou só por uma noite. Abrimos mão, de resto, do esclarecimento da diferença entre gente como nós e aquela clientela, a quem se servia o jantar à luz de lamparinas vermelhas, e jantamos no refeitório, em nossa mesa de iluminação prosaica – uma refeição bem mediocre, própria do esquema hoteleiro insípido; achamos depois muito melhor a cozinha da pensione Eleonora, dez passos mais distante da praia. Foi justamente para lá que nos transferimos, três ou quatro dias mais tarde.

(MANN, Thomas. Mário e o mágico: uma experiência trágica de viagem. Trad. José Marcos Macedo. Companhia das Letras, edição digital. Adaptado)


ainda que mais introspectiva e modesta que Portoclemente (1º parágrafo)

Sem prejuízo para a correção e o sentido, o trecho sublinhado acima pode ser substituído por:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Conectivos concessivos introduzem uma ideia que contrasta com a principal, mas que não impede sua realização. Eles indicam uma concessão, ou seja, um obstáculo que, apesar de existir, não impede o resultado.

  • (A) Incorreta: "tampouco" significa "nem também" ou "nem sequer", e é um advérbio de negação com valor aditivo, não concessivo.
  • (B) Incorreta: "bem como" significa "assim como" ou "e também", sendo uma locução conjuntiva aditiva, não concessiva.
  • (C) Incorreta: "devido a" é uma locução prepositiva que expressa causa ("por causa de"). Seu uso alteraria o sentido para uma relação de causa e efeito, e não de concessão ("Torre caiu no gosto por causa de ser introspectiva", o que não é o sentido original). Armadilha: A banca pode usar conectivos que estabelecem uma relação entre as orações, mas de tipo diferente (causa, adição, etc.), para confundir o aluno que não distingue claramente as funções dos conectivos.
  • (D) Correta: "conquanto" é uma conjunção concessiva, sinônimo de "embora", "ainda que" e "posto que". Ela mantém o sentido original de concessão, indicando que, apesar de Torre ser mais introspectiva e modesta, ela caiu no gosto de italianos e estrangeiros.
  • (E) Incorreta: "porquanto" é uma conjunção explicativa ou causal, significando "porque" ou "pois". Seu uso mudaria o sentido para uma explicação ou causa, e não para uma concessão.

Fonte: FCC TRT20 2024 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.

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