Questão nº 10

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT20 2024 (nº 10)

FCC2024Analista Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

A lembrança de Torre di Venere evoca uma atmosfera desagradável. Torre fica a cerca de quinze quilômetros de Portoclemente, uma das cidades de veraneio prediletas à margem do mar Tirreno, com uma colorida avenida à beira-mar repleta de hotéis e lojas, gente bronzeada e uma estrondosa indústria da diversão. Margeada de pinhos, a praia mantém ao longo de toda a costa a sua cômoda amplidão de areia fina, portanto não admira que não muito adiante tenha-se aberto uma concorrente mais sossegada. Torre é, como destino turístico, uma ramificação do balneário vizinho e já foi um idílio. Mas, como costuma acontecer com lugares assim, a paz foi há muito obrigada a deslocar-se um trecho mais adiante; o mundo, como se sabe, busca-a e expulsa-a. Foi assim que Torre, ainda que mais introspectiva e modesta que Portoclemente, caiu no gosto de italianos e estrangeiros.

Torre ganhou um Grand Hôtel (onde havíamos reservado quartos). Surgiram inúmeras pensões, luxuosas e mais simples. Em julho, agosto, fervilham berros, brigas, gritos de júbilo de banhistas, cuja pele da nuca se descasca por causa de um sol esturricante. Tal era o aspecto da praia de Torre quando chegamos.

Na noite de nossa chegada ao Grand Hôtel, quando aparecemos para o jantar, fomos guiados até uma mesa pelo garçom responsável. Não havia nenhuma objeção a fazer a essa mesa, mas nos cativou a vista da varanda de vidro contígua, que dava para o mar e sobre cujas mesinhas cintilavam lamparinas de abajur vermelho. Os pequenos se mostraram encantados com essa magnificência, e manifestamos de forma singela a decisão de que preferíamos fazer a nossa refeição na varanda – uma declaração de ignorância, como restou claro, pois nos fizeram entender com uma cortesia algo constrangida que aquele aconchegante ambiente era destinado "aos nossos clientes". Nossos clientes? Mas isso éramos nós. Não estávamos de passagem ou só por uma noite. Abrimos mão, de resto, do esclarecimento da diferença entre gente como nós e aquela clientela, a quem se servia o jantar à luz de lamparinas vermelhas, e jantamos no refeitório, em nossa mesa de iluminação prosaica – uma refeição bem medíocre, própria do esquema hoteleiro insípido; achamos depois muito melhor a cozinha da pensione Eleonora, dez passos mais distante da praia. Foi justamente para lá que nos transferimos, três ou quatro dias mais tarde.


O mundo, como se sabe, busca-a e expulsa-a. (1º parágrafo)

e sobre cujas mesinhas cintilavam lamparinas de abajur vermelho. (3º parágrafo)

Os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A referência pronominal é a identificação do termo (substantivo, ideia, etc.) que um pronome retoma ou substitui no texto, garantindo a coesão. Para desvendar a referência, é preciso analisar o contexto e a função do pronome na frase.

  • (A) Incorreta: O pronome "cujas" se refere à "varanda", pois as "mesinhas" pertencem à "varanda", não às "lamparinas".
  • (B) Correta: O pronome oblíquo "a" retoma "a paz", que é o termo anterior que o mundo busca e expulsa. O pronome relativo "cujas" estabelece uma relação de posse, indicando que as "mesinhas" pertencem à "varanda de vidro contígua".
  • (C) Incorreta: O pronome "a" retoma "a paz", não a "praia". O pronome "cujas" se refere à "varanda", não às "mesinhas" em si, mas sim ao termo ao qual as mesinhas pertencem.
  • (D) Incorreta: O pronome "a" retoma "a paz", não a "praia".
  • (E) Incorreta: O pronome "a" retoma "a paz", não "Torre". O pronome "cujas" se refere à "varanda", não às "mesinhas".

Fonte: FCC TRT20 2024 Analista Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.

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