Questão nº 2
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT20 2024 (nº 2)
Chamamos nossa espécie de Homo sapiens – o humano sábio. Mas é discutível até que ponto temos feito jus ao nome.
Nos últimos 100 mil anos, nós, sapiens, certamente acumulamos um poder enorme. A mera listagem de todas as nossas descobertas, invenções e conquistas ocuparia muitos volumes. Mas poder não é sabedoria e, depois de 100 mil anos de descobertas, invenções e conquistas, a humanidade se arrastou para uma crise existencial. Estamos à beira da catástrofe ambiental, causada pelo mau uso do nosso próprio poder. Também estamos criando novas tecnologias, como a IA (Inteligência Artificial), que podem nos escravizar ou nos aniquilar. Mas em vez de a nossa espécie se unir para lidar com esses grandes problemas existenciais, as tensões internacionais estão aumentando, a cooperação global vem se tornando mais difícil, os países estão ampliando seus arsenais de aniquilação total, e não parece impossível que uma nova guerra mundial aconteça.
Apesar da espantosa quantidade de informação à nossa disposição, somos tão suscetíveis à fantasia e à ilusão quanto nossos ancestrais antigos. Por que somos tão bons em acumular mais informação e poder, mas muito menos hábeis em adquirir sabedoria? Muitas tradições ao longo da história acreditaram que temos alguma imperfeição fatal que desperta a tentação de buscar poderes com que não sabemos lidar.
O autor estabelece uma oposição, sobretudo, entre o que considera que seja
- Ater uma ideologia e disseminar uma tradição.
- Bcrer numa fantasia e crer numa religião.
- Cter poder e ter sabedoria. (alternativa correta)
- Dacumular informações e disseminar notícias falsas.
- Econtar com recursos tecnológicos e reduzir a desigualdade social.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O texto discute a discrepância entre o que a humanidade é capaz de fazer (seu poder e conhecimento) e como ela utiliza essas capacidades (sua falta de sabedoria), levando a crises existenciais.
- (A) Incorreta: O texto menciona "tradições", mas não estabelece uma oposição central entre ter uma ideologia e disseminar uma tradição.
- (B) Incorreta: O texto fala sobre sermos "suscetíveis à fantasia e à ilusão", mas não contrapõe isso especificamente a "crer numa religião", nem é a oposição principal.
- (C) Correta: O autor afirma explicitamente que "poder não é sabedoria" e questiona por que somos "tão bons em acumular mais informação e poder, mas muito menos hábeis em adquirir sabedoria", tornando essa a oposição central do texto.
- (D) Incorreta: Embora o texto mencione a "espantosa quantidade de informação" e a suscetibilidade à "fantasia e ilusão" (que pode ser associada a notícias falsas), a oposição principal não é entre acumular informações e disseminar notícias falsas, mas sim entre o acúmulo de poder/informação e a falta de sabedoria para usá-los. Esta alternativa é um distrator porque mistura elementos mencionados no texto, mas não captura a oposição fundamental.
- (E) Incorreta: O texto menciona "novas tecnologias, como a IA", mas não aborda a questão da desigualdade social, tornando esta alternativa alheia ao conteúdo principal.
Fonte: FCC TRT20 2024 Analista Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.