Questão nº 32

Questão de Arquitetura e Urbanismo · FCC TRT17 2022 (nº 32)

FCC2022Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade ArquiteturaArquitetura e Urbanismo
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O período compreendido entre o Quattrocento e o século XVII assistiu à introdução gradativa de um elemento na sintaxe arquitetônica. Esse elemento foi aos poucos se libertando da tarefa de inserir-se proporcionalmente no intercolúnio, ao mesmo tempo em que renovava e ampliava o repertório clássico, ao constituir um campo específico de significação. Com o processo de renovação da linguagem arquitetônica, cujo objetivo era a conquista da autonomia e independência das partes, esse elemento passa a ter especificidade isolável, o que concorrerá para um papel definitivo na linguagem da arquitetura. Em síntese histórica, pode-se dizer que é uma invenção moderna. Contém a representação do tempo-espaço contínuo, infinito e homogêneo, mensurado, ordenado, idealizado, imaginável, onde se projeta o desejo de ordem para a cidade, onde os objetos e os vazios ocupam lugares definidos. Esse elemento denomina-se

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A janela é um elemento arquitetônico que, a partir do Renascimento, deixou de ser apenas um buraco na parede para se tornar um componente com design próprio, capaz de emoldurar a vista e representar a ideia de um espaço exterior ordenado e infinito.

  • (A) Correta: A janela é o elemento que melhor se encaixa na descrição. No Quattrocento e séculos seguintes, ela se libertou da subordinação estrutural (como o intercolúnio), ganhou autonomia formal (molduras, frontões), renovou o repertório clássico e se tornou um campo de significação. A ideia de "representação do tempo-espaço contínuo, infinito e homogêneo, mensurado, ordenado, idealizado, imaginável" é central para a janela renascentista, que funciona como uma "moldura" ou "quadro" para a visão do mundo exterior, alinhando-se com a perspectiva linear e a racionalização do espaço da época. Sua capacidade de ser "isolável" e sua evolução a tornam uma "invenção moderna" no sentido conceitual.
  • (B) Incorreta: A viga é um elemento estrutural horizontal, fundamental, mas não se relaciona com a "representação do tempo-espaço contínuo, infinito e homogêneo" ou com a ideia de se libertar do intercolúnio para criar um campo de significação visual.
  • (C) Incorreta: O pilar (ou coluna) é um elemento estrutural vertical clássico. Embora tenha evoluído, ele não se encaixa na descrição de "libertar-se da tarefa de inserir-se proporcionalmente no intercolúnio" (pois ele define o intercolúnio) nem na representação do espaço contínuo como uma moldura.
  • (D) Incorreta: A porta também é uma abertura e ganhou autonomia formal. No entanto, a porta serve primariamente para a passagem e acesso, enquanto a janela é o elemento que mais fortemente se associa à visualização e representação do espaço exterior idealizado, funcionando como um "quadro" que define a relação visual entre o interior e o exterior, o que é a chave para a descrição do "tempo-espaço contínuo, infinito e homogêneo". A armadilha aqui é que a porta também evoluiu e tem elementos clássicos, mas a função de "representação do tempo-espaço" é mais intrínseca à janela.
  • (E) Incorreta: O pátio é um espaço arquitetônico aberto, não um "elemento na sintaxe arquitetônica" no mesmo sentido de uma janela ou porta. Ele organiza o volume construído, mas não é um componente que se "liberta do intercolúnio" ou que "contém a representação do tempo-espaço contínuo" como uma moldura visual.

Fonte: FCC TRT17 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Arquitetura (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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