Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 9)
Muitos e muitos anos atrás, antes do asfalto, quando a rodovia Fernão Dias ou era um mar de pó ou um mar de lama, as viagens eram aventuras. Eu morava no interior de Minas e o jeito de vir a Campinas para ver a namorada era arranjar carona em algum caminhão. Pois foi numa destas vezes que o motorista, delicadamente, para início de uma conversa que prometia ser muito longa, me perguntou: "E o que é que você faz?" Eu poderia ter dito simplesmente: "Sou professor". Isto ele entenderia perfeitamente, pois já havia frequentado escolas, sabia muitas coisas sobre professores, e passaria então a contar de suas proezas na aritmética e suas dificuldades com a língua pátria. Mas eu, tolo, e para dar um ar de importância, respondi: "Sou professor de filosofia..." O rosto do motorista se iluminou num largo sorriso. "Até que enfim", ele disse. "Faz anos que eu quero saber o que é filosofia e até hoje não encontrei ninguém que me explique. Mas hoje tenho a sorte de ter um professor de filosofia como companheiro de viagem. Afinal de contas, o que é filosofia?"
Não tenho memória alguma do que lhe disse como inútil explicação.
Até hoje não encontrei ninguém que me explique o que é filosofia.
Transposto para o discurso indireto, o trecho acima assume a seguinte redação:
Ele disse que até aquele dia não
- Afoi encontrado ninguém que explicou-lhe o que é filosofia.
- Bhavia encontrado ninguém que lhe explicasse o que era filosofia. (alternativa correta)
- Cencontrou ninguém que o explicasse o que era filosofia.
- Dencontrava ninguém que lhe explicou o que é filosofia.
- Ehaveria de encontrar ninguém que o explique o que era filosofia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Ao transformar o discurso direto em indireto, os verbos geralmente "recuam" no tempo (passam para um tempo mais passado) e os pronomes e advérbios são ajustados à nova perspectiva do narrador.
(A) Incorreta: O verbo "encontrei" (pretérito perfeito) não se transforma em "foi encontrado" (voz passiva), e "explique" (presente do subjuntivo) não vira "explicou-lhe" (pretérito perfeito do indicativo), além de "é" não recuar para "era".
(B) Correta: O verbo "encontrei" (pretérito perfeito) recua para "havia encontrado" (pretérito mais-que-perfeito composto); "me explique" (presente do subjuntivo) vira "lhe explicasse" (pretérito imperfeito do subjuntivo), ajustando o pronome; e "é" (presente do indicativo) recua para "era" (pretérito imperfeito do indicativo). Esta alternativa aplica corretamente todas as regras de transposição verbal e pronominal.
(C) Incorreta: O verbo "encontrei" (pretérito perfeito) deveria recuar para o pretérito mais-que-perfeito ("havia encontrado"), e não permanecer no pretérito perfeito ("encontrou"). Além disso, o pronome "o" é objeto direto, enquanto "explique a mim" pede "lhe" (objeto indireto).
(D) Incorreta: O verbo "encontrei" (pretérito perfeito) não se transforma em "encontrava" (pretérito imperfeito), e "explique" (presente do subjuntivo) não vira "explicou" (pretérito perfeito do indicativo), além de "é" não recuar para "era".
(E) Incorreta: O verbo "encontrei" (pretérito perfeito) não se transforma em "haveria de encontrar" (futuro do pretérito), e "explique" (presente do subjuntivo) não se mantém no presente do subjuntivo, devendo recuar para o pretérito imperfeito do subjuntivo.
Fonte: FCC TRT15 2024 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Enfermagem do Trabalho (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.