Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 7)
Em O fim da teoria, Chris Anderson afirma que quantidades inimagináveis de dados (o Big Data) tornariam as teorias completamente obsoletas: "Hoje, empresas que cresceram em uma era de dados massivamente abundantes não precisam se contentar com modelos errados. Na verdade, elas não precisam mais se contentar com modelos". A psicologia ou sociologia orientada por dados torna possível prever e controlar com precisão o comportamento humano. As teorias estão sendo substituídas por dados diretos.
O Big Data, na verdade, não explica nada. Apenas revela correlações entre as coisas. Mas as correlações são a forma mais primitiva de conhecimento. Nada é compreendido nas correlações. O Big Data não é capaz de explicar por que as coisas se comportam da maneira como se comportam. Não são estabelecidas conexões causais nem conceituais.
A teoria como narração cria uma ordem de coisas, relacionando-as umas com as outras e explicando por que elas se comportam da maneira como se comportam. Em contraste com o Big Data, ela nos oferece a forma mais elevada de conhecimento, qual seja, a compreensão. O Big Data, por outro lado, é totalmente aberto.
A teoria na forma de desfecho prende as coisas em uma estrutura conceitual e as torna, com isso, apreensíveis. O fim da teoria significa, em última instância, dizer adeus ao conceito como espírito. A inteligência artificial funciona muito bem sem o conceito. Inteligência não é espírito. Somente o espírito é capaz de uma nova ordem das coisas, de uma nova narração. A inteligência calcula. O espírito, todavia, narra. Em um mundo saturado de dados e informações, a capacidade de narrar se atrofia. Com isso, a construção de teorias se torna algo mais raro, até mesmo arriscado.
A inteligência artificial não pode pensar porque não pode se apaixonar, porque não é capaz de uma narração apaixonada. Os diálogos de Platão já deixam claro que a filosofia é uma narração. A filosofia como ciência renega seu caráter narrativo originário. Ela se priva de sua linguagem. Emudece. Assim, a atual crise da narração também está se apoderando da filosofia e lhe pondo um fim. No instante em que a filosofia reivindica ser uma ciência, ser uma ciência exata, seu declínio começa.
O adjetivo formado a partir de um prefixo de negação está sublinhado em:
- Aquantidades inimagináveis de dados. (alternativa correta)
- BApenas revela correlações entre as coisas.
- Ctornariam as teorias completamente obsoletas.
- Dempresas que cresceram em uma era de dados massivamente abundantes.
- EO fim da teoria significa, em última instância, dizer adeus ao conceito como espírito.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Um prefixo de negação é um pedacinho de palavra que se adiciona ao início de outra para indicar o contrário ou a ausência de algo. Quando esse prefixo se junta a um adjetivo (palavra que caracteriza um substantivo), ele forma um novo adjetivo com sentido oposto.
(A) Correta: A palavra "inimagináveis" é um adjetivo formado pelo prefixo de negação "in-" (que significa "não") unido ao adjetivo "imagináveis". Assim, "inimagináveis" significa "não imagináveis".
(B) Incorreta: "Correlações" é um substantivo, não um adjetivo, e "cor-" não é um prefixo de negação neste caso.
(C) Incorreta: "Obsoletas" é um adjetivo, mas "ob-" faz parte da raiz da palavra "obsoleto" (que significa ultrapassado), e não é um prefixo de negação adicionado a uma base.
(D) Incorreta: "Abundantes" é um adjetivo, mas "ab-" faz parte da raiz da palavra "abundante" (que significa em grande quantidade), e não é um prefixo de negação adicionado a uma base.
(E) Incorreta: "Instância" é um substantivo, não um adjetivo, e "in-" faz parte da raiz da palavra, não sendo um prefixo de negação.
Fonte: FCC TRT15 2024 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Enfermagem do Trabalho (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.