Questão nº 55
Questão de Comunicação Social · FCC TRT15 2024 (nº 55)
Um repórter está investigando um caso de corrupção e decide cruzar dados de transações financeiras com bases de acesso público. Para otimizar a apuração, ele decide utilizar uma ferramenta de inteligência artificial que analisa grandes volumes de dados e encontra padrões relevantes. No entanto, ao longo do processo, ele se depara com as seguintes situações:
- A ferramenta de IA identifica um padrão que parece indicar irregularidades, mas contém dados incompletos.
- Uma das bases públicas de dados contém informações incompletas ou aparentemente mal tabuladas.
- O jornalista tem a opção de alimentar a ferramenta, que roda via web browser, com informações de uma base própria.
- Ele possui dados sigilosos obtidos de uma fonte confiável, os quais não podem vazar.
Considerando os modernos padrões editoriais de emprego de IA no jornalismo, o repórter deve:
- AInserir as informações sigilosas na ferramenta para melhorar a precisão do modelo na análise de padrões, garantindo que o upload seja feito em arquivos criptografados.
- BPublicar a matéria com base nos padrões detectados pela ferramenta, considerando que modelos de aprendizagem de máquina são projetados para serem precisos e imparciais.
- CAnalisar as informações obtidas pela ferramenta, verificar sua origem, analisar os dados sigilosos separadamente e realizar validações adicionais antes de utilizar as informações na cobertura jornalística. (alternativa correta)
- DIgnorar, por precaução, os padrões detectados pela ferramenta e reconduzir investigação manualmente, evitando riscos de vazamentos de dados sigilosos ou incorporação na notícia de viés do modelo de aprendizagem de máquina.
- EBasear-se na análise da ferramenta, arquivar os dados sigilosos que não podem vazar e revisar o texto da matéria para suprir lacunas de informações com uma narrativa coerente e envolvente a partir das informações selecionadas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A inteligência artificial (IA) no jornalismo é uma ferramenta de apoio para processar grandes volumes de dados e identificar tendências, mas não substitui o julgamento humano do repórter. A verificação, validação e ética são sempre responsabilidades do jornalista.
- (A) Incorreta: Inserir informações sigilosas em uma ferramenta web de terceiros, mesmo que criptografadas no upload, representa um risco inaceitável de vazamento e perda de controle dos dados, violando a proteção da fonte e a ética jornalística.
- (B) Incorreta: Publicar com base apenas em padrões de IA é irresponsável, pois modelos de aprendizagem de máquina podem conter vieses, gerar dados incompletos ou identificar correlações espúrias, exigindo sempre verificação humana.
- (C) Correta: Esta alternativa reflete as melhores práticas jornalísticas: usar a IA como ponto de partida, verificar a origem e a completude dos dados, proteger informações sigilosas mantendo-as separadas e realizar validação humana rigorosa antes de publicar.
- (D) Incorreta: Ignorar completamente os padrões da ferramenta anula o propósito de otimizar a apuração com IA, descartando potenciais insights que, após verificação, poderiam ser valiosos para a investigação.
- (E) Incorreta: "Suprir lacunas de informações com uma narrativa coerente e envolvente" é uma prática antiética no jornalismo, que exige fatos verificados e não a criação de histórias para preencher vazios de dados. A proteção dos dados sigilosos está correta, mas a forma de lidar com as lacunas está errada.
Fonte: FCC TRT15 2024 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Comunicação Social (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.