Questão nº 10

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2023 (nº 10)

FCC2023Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Blefes

Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo. Numa mesa de pôquer o homem chega ao pior e ao melhor de si mesmo, e vai da euforia ao ódio numa rodada. Mas sempre como se nada estivesse acontecendo. Os americanos falam do poker face, a cara de quem consegue apostar tendo uma boa carta ou nada na mão com a mesma impassividade, embora a lava esteja turbilhonando lá dentro. Porque sabe que está rodeado de fingidos, o jogador de pôquer deve tentar distinguir quem tem jogo de quem não tem e está blefando por um tremor na pálpebra, por um tique na orelha. Ou ultrapassando a fachada e mergulhando na alma do outro.

Não se trata de adivinhar seu caráter. Não é uma questão de caráter. O blefe é um lance tão legítimo quanto qualquer outro no pôquer. Os puros são até melhores blefadores, pois só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito sob o escrutínio hostil da mesa. Há quem diga que ganhar com um blefe supera ganhar com boas cartas e que é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar, e portanto de acaso, e se torna um jogo de talento. Já fora do pôquer o blefe perde sua respeitabilidade. É apenas sinônimo de engodo. Geralmente aplicado a pessoas que não eram o que pareciam ou fingiam ser.

(Adaptado de: VERÍSSIMO, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam. São Paulo: Cia das Letras, 2015)


Os puros são até melhores blefadores.

O uso de "até" no trecho acima permite afirmar que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

O advérbio "até" pode indicar inclusão, intensidade ou, como neste caso, uma quebra de expectativa ou surpresa, sugerindo que algo ocorre mesmo em uma situação onde não seria o esperado.

(A) Correta: O uso de "até" na frase "Os puros são até melhores blefadores" indica que, normalmente, não se esperaria que pessoas "puras" (sem culpa, íntegras) fossem boas em algo que envolve engano como o blefe. A palavra "até" introduz a ideia de que essa característica (ser um bom blefador) se estende a um grupo onde, a priori, seria surpreendente.
(B) Incorreta: Embora o texto possa implicitamente sugerir que outros também podem ser bons blefadores, o "até" na frase em questão não tem a função de afirmar que a pureza não é um requisito. Ele destaca a qualidade inesperada dos puros como blefadores.
(C) Incorreta: O texto, na verdade, valoriza a pureza como um fator crucial para um blefe perfeito ("pois só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito"). O "até" não minimiza a pureza, mas a ressalta de forma surpreendente em relação ao blefe.
(D) Incorreta: O texto afirma o oposto: "só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito", ou seja, a ausência de culpa (pureza) é que permite um blefe superior, não a culpa.
(E) Incorreta: O texto menciona o "escrutínio hostil da mesa" como um desafio, e a pureza do jogador como uma vantagem para resistir a ele, mas não estabelece uma relação de dependência entre o escrutínio e a pureza dos jogadores.

Fonte: FCC TRT15 2023 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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