Questão nº 13
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF4 2019 (nº 13)
Renato Janine Ribeiro: A velocidade ficou maior do que as pessoas conseguem alcançar. Somos bombardeados diariamente sobre novidades na produção do hardware e do software dos computadores. O indivíduo tem um computador e, em pouco tempo, é lançado outro mais potente. Talvez em breve as pessoas se convençam de que não há necessidade de uma renovação tão frequente. A grande maioria das pessoas usam bem pouco dos recursos de seus computadores. Devemos sempre lembrar que as invenções existem para nos servir, e não o contrário. Quer dizer, a demanda é que as pessoas se adaptem às máquinas, e não que as máquinas se adaptem às pessoas.
Flávio Gikovate: Tenho a impressão de que isso não ocorre só com a tecnologia. Tenho a sensação de que sempre chegamos tarde. As pessoas compram muitas coisas desnecessárias. Veja o caso das roupas: só porque a cintura da calça subiu ou desceu ligeiramente, elas trocam todas as que possuíam. Trata-se de um movimento em que as pessoas estão sempre devendo.
(Adaptado de: GIKOVATE, Flávio & RIBEIRO, Renato Janine. Nossa sorte, nosso norte. Campinas: Papirus, 2012)
Flávio Gikovate: Tenho a impressão de que isso não ocorre só com a tecnologia. (2º parágrafo)
Transposto para o discurso indireto, o trecho acima assume a seguinte redação:
- AFlávio disse que teria a impressão de que isso não ocorrerá só com a tecnologia.
- BFlávio afirmou que teve a impressão de que isso não ocorreria só com tecnologia.
- CTem-se a impressão, conforme afirma Flávio, de que isso não ocorrerá só com a tecnologia.
- DFlávio disse que tinha a impressão de que isso não ocorreu só com a tecnologia.
- EFlávio afirmou que tinha a impressão de que isso não ocorria só com a tecnologia. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Ao transformar o discurso direto (as palavras exatas de alguém) em discurso indireto (o que alguém disse, mas narrado por outra pessoa), é preciso ajustar os verbos, pronomes e, às vezes, advérbios. A principal mudança nos verbos é o recuo temporal: se o verbo introdutório (como "disse" ou "afirmou") estiver no passado, os verbos do discurso original também "voltam" no tempo.
- (A) Incorreta: Os verbos "teria" (futuro do pretérito) e "ocorrerá" (futuro do presente) não correspondem ao recuo temporal adequado para os presentes do indicativo "tenho" e "ocorre".
- (B) Incorreta: O verbo "teve" (pretérito perfeito) não é o recuo temporal correto para "tenho" (presente do indicativo); o correto seria o pretérito imperfeito.
- (C) Incorreta: A estrutura da frase foi alterada para uma forma impessoal ("Tem-se a impressão"), e o verbo "ocorrerá" (futuro do presente) está incorreto para o recuo temporal.
- (D) Incorreta: Esta é a armadilha. Embora "tinha" esteja correto para "tenho", o verbo "ocorreu" (pretérito perfeito) está incorreto. O presente do indicativo "ocorre", quando recuado no tempo por um verbo introdutório no passado, deve ir para o pretérito imperfeito do indicativo ("ocorria"), e não para o pretérito perfeito. O pretérito perfeito indica uma ação pontual e concluída, enquanto o pretérito imperfeito mantém a ideia de continuidade ou habitualidade do presente original.
- (E) Correta: Flávio afirmou que tinha (pretérito imperfeito, recuo de "tenho") a impressão de que isso não ocorria (pretérito imperfeito, recuo de "ocorre") só com a tecnologia. Esta alternativa aplica corretamente o recuo temporal dos verbos do presente do indicativo para o pretérito imperfeito do indicativo, mantendo a coerência temporal e o sentido original da fala.
Fonte: FCC TRF4 2019 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.