Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · FCC TJ-MA 2019 (nº 4)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.
[Os nomes e os lugares]
É sempre perigoso usar termos geográficos no discurso histórico. É preciso ter muita cautela, pois a cartografia dá um ar de espúria objetividade a termos que, com frequência, talvez geralmente, pertencem à política, ao reino dos programas, mais que à realidade. Historiadores e diplomatas sabem com que frequência a ideologia e a política se fazem passar por fatos. Rios, representados nos mapas por linhas claras, são transformados não apenas em fronteiras entre países, mas fronteiras "naturais". Demarcações linguísticas justificam fronteiras estatais.
A própria escolha dos nomes nos mapas costuma criar para os cartógrafos a necessidade de tomar decisões políticas. Como devem chamar lugares ou características geográficas que já têm vários nomes, ou aqueles cujos nomes foram mudados oficialmente? Se for oferecida uma lista alternativa, que nomes são indicados como principais? Se os nomes mudaram, por quanto tempo devem os nomes antigos ser lembrados?
Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 5, questão nº 6.
- APostula o autor do texto de que a cartografia seja capaz de revelar equívocos à medida em que se nomeiam os seus objetos.
- BPor conta de razões históricas acabam por nomear-se acidentes que deveriam ser adstritos à simples geografia dos mesmos.
- CO fato de haver nomes simultâneos para os mesmos elementos cartográficos indicam por vezes a precariedade destas nomeações.
- DÉ no decorrer da história aonde se verificam quão poucos objetivos são os critérios que se adotam nos princípios da cartografia.
- EEm vários momentos da história, os cartógrafos sentem o peso de uma decisão política na hora de nomear os componentes de um mapa. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Uma redação clara e correta significa que a frase está gramaticalmente impecável, sem erros de concordância, regência ou pontuação, e que seu conteúdo interpreta de forma fiel e concisa a ideia principal ou um ponto relevante do texto original.
A) Incorreta: Há um erro de regência verbal ("Postula o autor do texto de que" – o verbo "postular" no sentido de afirmar não exige a preposição "de" antes do "que"). Além disso, a cartografia não "revela equívocos" ao nomear, mas sim que a nomeação é um processo político que pode gerar uma "espúria objetividade".
B) Incorreta: A frase faz uma inferência ("deveriam ser adstritos à simples geografia") que não está explicitamente no texto. O texto descreve a realidade da nomeação política, não um ideal de como ela deveria ser.
C) Incorreta: Há um erro de concordância verbal: "O fato de haver nomes simultâneos... indicam" (o sujeito é "O fato", que é singular, então o verbo deveria ser "indica"). A palavra "precariedade" também não reflete com exatidão a ideia do texto, que aponta para a necessidade de decisões políticas, e não para a fragilidade das nomeações.
D) Incorreta: Há um erro no uso de "aonde". "Aonde" indica movimento para um lugar ("para onde"); o correto seria "onde" ou "em que" para indicar lugar fixo ou em que algo ocorre.
(E) Correta: A frase está gramaticalmente correta e resume de forma precisa e concisa a ideia central do segundo parágrafo do texto, que aborda a necessidade de os cartógrafos tomarem decisões políticas ao nomear elementos nos mapas. O texto afirma que "A própria escolha dos nomes nos mapas costuma criar para os cartógrafos a necessidade de tomar decisões políticas", o que é perfeitamente traduzido por "sentem o peso de uma decisão política".
Fonte: FCC TJ-MA 2019 Conhecimentos Comuns (Analista TI) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.