Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · FCC SPPREV 2019 (nº 4)
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 5.
Ao contrário do que se imagina, o processo de envelhecimento populacional resulta do declínio da fecundidade e não do declínio da mortalidade. Uma população torna-se mais idosa à medida que aumenta a proporção de indivíduos idosos e diminui a proporção de indivíduos mais jovens.
A transição demográfica originou-se na Europa e seu primeiro fenômeno foi a diminuição da fecundidade, observada na Revolução Industrial. Lá, o aumento na expectativa de vida se deu graças às melhores condições de saneamento, além do uso de antibióticos e de vacinas.
Na América Latina, observa-se hoje um fenômeno semelhante ao ocorrido na Europa, porém, com implicações diferentes. No modelo Europeu, ocorreu grande desenvolvimento social e aumento de renda significativo. Na América Latina, em especial no Brasil, houve um processo de urbanização sem alteração da distribuição de renda. Entre os anos 1940 e 1960, o Brasil experimentou um declínio da mortalidade, mantendo a fecundidade em níveis altos, o que gerou uma população jovem em rápido crescimento. A partir dos anos 1960, a redução da fecundidade, que se iniciou nas regiões mais desenvolvidas, desencadeou o processo de transição da estrutura etária. No futuro, teremos uma população quase estável, porém mais idosa e com taxa de crescimento baixíssima.
O grupo etário de cinco a nove anos declinou de 14 para 12% entre 1970 e 1990. Nesse período, a presença de crianças com menos de cinco anos reduziu-se de 15 para 11%. No ano 2000, cada um desses grupos continuou a declinar. Por outro lado, o grupo composto por pessoas acima de 65 anos cresceu de 3,5, em 1970, para 5,5% em 2000. Entretanto, é interessante observar o envelhecimento que já ocorre dentro da própria população idosa, pois 17% dos idosos com 80 anos ou mais de idade corresponderão, em 2050, provavelmente, a 28%.
O nível socioeconômico pouco explica sobre a mortalidade entre os idosos. Após os 60 anos, a expectativa de vida não varia de modo significativo ao compararmos países desenvolvidos e países em desenvolvimento. O que difere um país desenvolvido de um país em desenvolvimento como o Brasil é a quantidade de indivíduos que irá chegar aos 60 anos, pois, após esse período, não se observa diferença entre os países.
A mortalidade no Brasil começou a diminuir nos anos 1940. Entretanto, a taxa de fecundidade somente iniciou a sua queda cerca de 30 anos depois. Na Europa, a queda na taxa de fecundidade iniciou-se no final do século XIX, cem anos após a queda na taxa de mortalidade; assim, os países europeus tiveram mais tempo para se preparar. No Estado de São Paulo, atualmente, a taxa de fecundidade já atinge níveis de reposição. O ciclo de envelhecimento que na Europa durou quase dois séculos terminará aqui em meados do próximo século, ou seja, na metade do tempo. Em 2025, o Brasil terá cerca de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Entre outras coisas, isso significa que o perfil de doenças da população mudará de modo radical, de modo que a capacidade funcional surge como um novo paradigma de saúde.
(Adaptado de: NASRI, Fábio. Einstein. 2008; 6 (Supl 1): S4-S6)
A partir dos anos 1960, a redução da fecundidade, que se iniciou nas regiões mais desenvolvidas, desencadeou o processo de transição da estrutura etária (3º parágrafo).
Transpondo-se a oração principal da frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 5.
- Aforam desencadeados.
- Bfoi desencadeada.
- Cera desencadeada.
- Dforam desencadeadas.
- Efoi desencadeado. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A voz passiva ocorre quando o sujeito da frase sofre a ação, em vez de praticá-la. Para transformar uma frase da voz ativa para a passiva, o objeto direto da ativa se torna o sujeito da passiva, e o verbo principal da ativa é substituído por uma locução verbal formada pelo verbo "ser" (conjugado no mesmo tempo e pessoa do verbo original) mais o particípio do verbo principal (que concorda em gênero e número com o novo sujeito).
Na frase "a redução da fecundidade (...) desencadeou o processo de transição da estrutura etária":
- O sujeito da voz ativa é "a redução da fecundidade".
- O verbo é "desencadeou" (pretérito perfeito do indicativo, 3ª pessoa do singular).
- O objeto direto é "o processo de transição da estrutura etária".
Para a voz passiva, "o processo de transição da estrutura etária" se torna o sujeito paciente. O verbo "desencadeou" (pretérito perfeito) vira "foi desencadeado", concordando com "o processo" (masculino singular).
- (A) Incorreta: "foram desencadeados" está no plural, mas o sujeito paciente ("o processo") é singular.
- (B) Incorreta: "foi desencadeada" está no singular, mas o particípio "desencadeada" está no feminino, enquanto o sujeito paciente ("o processo") é masculino. A armadilha aqui é concordar o particípio com "estrutura etária" (feminino), que é parte do complemento, e não com o núcleo do sujeito paciente, que é "o processo" (masculino).
- (C) Incorreta: "era desencadeada" está no pretérito imperfeito, mas o verbo original "desencadeou" está no pretérito perfeito. O tempo verbal deve ser mantido.
- (D) Incorreta: "foram desencadeadas" está no plural e no feminino, o que não concorda com o sujeito paciente ("o processo", masculino singular).
- (E) Correta: "foi desencadeado" está no pretérito perfeito do indicativo (como "desencadeou"), no singular e no masculino, concordando perfeitamente com o sujeito paciente "o processo de transição da estrutura etária".
Fonte: FCC SPPREV 2019 Técnico em Gestão Previdenciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.