Questão nº 26
Questão de Raciocínio Crítico, Lógico e Estatística · FCC SEFAZ-SC 2018 - Conhecimentos Gerais (P1) (nº 26)
Quando eu era criança, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono do meu nariz. Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que eu precisava aproveitar bastante minha infância para ser feliz, pois, uma vez chegado à idade adulta, eu constataria que a vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor. Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: quando a gente é criança ou adolescente, a felicidade é algo que será possível na idade adulta; quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi: a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes. A felicidade é uma quimera que seria sempre própria de uma outra época da vida – que ainda não chegou ou que já passou.
A partir do texto, afirma-se corretamente:
- AÉ conclusão do autor que a felicidade é uma utopia, uma vez que se tem a ilusão de que ela está sempre fora de alcance, ora no passado, ora no futuro. (alternativa correta)
- BA ideia que o autor mantinha na infância sobre a possibilidade de alcançar a felicidade quando adulto se confirmou futuramente.
- CO conselho que o autor recebeu de adultos quando criança possibilitou-lhe aproveitar melhor a infância, época em que imaginava ser de fato feliz.
- DO autor deduz erroneamente que apenas os adultos podem alcançar a felicidade, ressentindo-se, assim, de não ter usufruído os fugazes momentos felizes da infância.
- EDeduz-se que os adultos que contrariaram a ideia de felicidade manifestada pelo autor quando criança tiveram, eles próprios, uma vida adulta marcada por decepções e renúncias aos projetos forjados na infância.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O texto explora a percepção da felicidade ao longo da vida, mostrando que ela é sempre projetada para um tempo diferente do presente, tornando-a inatingível. A palavra quimera significa algo irreal, uma ilusão ou fantasia, que se encaixa na ideia de uma felicidade que nunca está no agora.
(A) Correta: A conclusão do autor é que a felicidade é uma "quimera", ou seja, uma utopia ou ilusão, pois ela é sempre vista como pertencente a "outra época da vida – que ainda não chegou ou que já passou", o que significa que está sempre fora do alcance presente, seja no futuro ou no passado.
(B) Incorreta: O texto afirma o contrário, que a previsão do autor na infância ("a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto") foi "contrariada" pela realidade da vida adulta, que ele descreve como cheia de obrigações e decepções.
(C) Incorreta: O texto menciona o conselho dos adultos, mas não afirma que o autor o seguiu ou que isso o fez "aproveitar melhor a infância". A conclusão do autor é sobre a natureza ilusória da felicidade, não sobre sua própria experiência de infância.
(D) Incorreta: O autor não deduz que "apenas os adultos podem alcançar a felicidade"; na verdade, ele conclui que a felicidade é uma "quimera" para todas as fases da vida. Ele também não expressa ressentimento por não ter usufruído da infância, mas sim uma observação sobre como a felicidade é percebida.
(E) Incorreta: Embora o conselho dos adultos sugira que eles tiveram uma vida adulta difícil, o texto não afirma explicitamente que "eles próprios" tiveram uma vida marcada por decepções ou renúncias aos seus projetos. Essa é uma inferência que vai além do que é diretamente afirmado ou concluído pelo autor no texto.
Fonte: FCC SEFAZ-SC 2018 - Conhecimentos Gerais (P1) Conhecimentos Gerais (todas as áreas) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.