Questão nº 1
Questão de Língua Portuguesa · FCC MPE-PI 2025 (nº 1)
Atenção: Considere a crônica "Beijinho, beijinho", de Luis Fernando Verissimo, para responder às questões de números 1 a 5.
Na festa dos 34 anos da Clarinha, o seu marido, Amaro, fez um discurso muito aplaudido. Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17, sabiam por quê? Porque a Clarinha era duas de 17. Tinha a vivacidade e o frescor de duas adolescentes.
No carro, depois da festa, o Marinho comentou:
— Bonito o discurso do Amaro.
— Não dou dois meses para eles se separarem — disse a Nair.
— O quê?
— Marido quando começa a elogiar muito a mulher...
Nair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina.
— Mas eles parecem cada vez mais apaixonados — protestou Marinho.
— Exatamente. Apaixonados demais. Lembra o que eu disse quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas?
— É mesmo...
— Vinte anos de casados e de repente começam a andar de mãos dadas? Como namorados? Ali tinha coisa.
(VERISSIMO, Luis Fernando. Verissimo antológico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020)
A voz do personagem mescla-se intimamente à voz do narrador, configurando o chamado discurso indireto livre, no seguinte trecho:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5.
- A— Vinte anos de casados e de repente começam a andar de mãos dadas? (11º parágrafo)
- B— Mas eles parecem cada vez mais apaixonados — protestou Marinho. (8º parágrafo)
- CNa festa dos 34 anos da Clarinha, o seu marido, Amaro, fez um discurso muito aplaudido. (1º parágrafo)
- DNair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina. (7º parágrafo)
- EDeclarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17, sabiam por quê? (1º parágrafo) (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O discurso indireto livre acontece quando a voz do narrador e a voz de um personagem se misturam, sem que haja marcas claras (como aspas, travessões ou verbos de dizer explícitos) que separem uma da outra. É como se o narrador estivesse contando o que o personagem pensa ou diz, mas usando as palavras e o tom do próprio personagem.
- (A) Incorreta: Este é um exemplo claro de discurso direto, marcado pelo travessão e pela fala exata da personagem Nair.
- (B) Incorreta: Este também é um exemplo de discurso direto, com o travessão indicando a fala do personagem Marinho e o verbo de elocução "protestou".
- (C) Incorreta: Esta é uma narração pura, onde o narrador descreve um evento sem a inserção da fala ou pensamento de um personagem de forma direta ou indireta livre.
- (D) Incorreta: Esta é uma narração pura, onde o narrador descreve uma ação e uma interpretação, sem mesclar a voz de um personagem.
- (E) Correta: A frase começa com "Declarou que...", que é típico do discurso indireto. No entanto, a continuação ", sabiam por quê?" é uma pergunta retórica que mantém a entonação e a forma original da fala de Amaro, mas está inserida na narração sem aspas ou um verbo de elocução que a introduza como discurso direto. Essa fusão da voz do narrador com a voz do personagem (especialmente a pergunta direta) é a característica do discurso indireto livre.
Fonte: FCC MPE-PI 2025 Técnico Ministerial – Área Administrativa (Caderno Tipo 2). Reproduzida para fins de estudo.