Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC IAPEN-AP 2018 (nº 9)
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 7 a 10.
O mantra do momento é "siga seu coração". O coração é sábio. Se o coração não palpita, mude de vida. Ou de trabalho.
Antigamente, o trabalho era apenas um instrumento para garantir o sustento. A ideia de que o trabalho nos "completa", nos "apaixona", seria incompreensível. Mas não é incompreensível hoje. Se não sentirmos um amor eterno pela rotina do escritório, pensaremos em uma derrota existencial.
Mas, se, em matéria de trabalho, o que interessa é cumprir nossa paixão, isso significa que todos temos uma paixão para cumprir. Noções de esforço e mérito deixam de fazer sentido. Tudo que interessa é descobrir nossa vocação. Contudo, conforme alertam psicólogos, esse raciocínio não sobrevive a uma análise cuidadosa.
Em matéria vocacional, a teoria de que aquilo que nos apaixona já está inscrito no nosso "DNA existencial" é a teoria dos românticos, que pulam de trabalho em trabalho em busca da epifania. Se não a encontram, a frustração aumenta. Para pesquisadores, pessoas que se refugiam nessa teoria dificilmente encontram a paixão que procuram. O mundo não é o reflexo perfeito dos nossos desejos; ele é mais imprevisível e diverso do que nossas fantasias mentais.
Quando nos agarramos a uma ideia fixa de realização pessoal, não vemos oportunidades de trabalho alternativas. Pior ainda: encaramos cada surpresa como um desvio intolerável. Quem acredita na vocação "natural" não concebe a existência de obstáculos. Se as coisas não são tão simples como imaginamos, isso só pode significar que estamos no caminho errado.
Moral da história? Não siga seu coração. Prefira abrir sua cabeça para as possibilidades que existem — e que sua cabeça nem sequer imaginava que existiam.
Se não a encontram, a frustração aumenta. Para pesquisadores, pessoas que se refugiam nessa teoria dificilmente encontram a paixão que procuram. (4º parágrafo)
No contexto, os termos sublinhados na frase acima referem-se, na ordem dada, a:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 7, questão nº 8, questão nº 10.
- Ateoria – pessoas – pessoas
- Bteoria – pesquisadores – pessoas
- Cepifania – pessoas – paixão (alternativa correta)
- Depifania – pesquisadores – paixão
- Eteoria – pessoas – paixão
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A referência anafórica ocorre quando uma palavra ou expressão (como um pronome, advérbio ou outro termo) retoma um elemento que já foi mencionado anteriormente no texto, garantindo a coesão e evitando repetições desnecessárias.
- (A) Incorreta: O pronome "a" não se refere a "teoria", e o segundo "que" não retoma "pessoas", mas sim "paixão".
- (B) Incorreta: O pronome "a" não se refere a "teoria", e o primeiro "que" retoma "pessoas", não "pesquisadores".
- (C) Correta:
- O pronome "a" em "Se não a encontram" retoma a "epifania" mencionada logo antes ("em busca da epifania").
- O pronome relativo "que" em "pessoas que se refugiam" retoma o substantivo "pessoas", ao qual se refere a oração adjetiva.
- O pronome relativo "que" em "a paixão que procuram" retoma o substantivo "paixão", ao qual se refere a oração adjetiva.
- (D) Incorreta: O primeiro "que" retoma "pessoas", e não "pesquisadores". A armadilha aqui é confundir o agente da ação ("pessoas") com o grupo que as estuda ("pesquisadores").
- (E) Incorreta: O pronome "a" não se refere a "teoria".
Fonte: FCC IAPEN-AP 2018 Educador Social Penitenciário (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.