Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC DPE-AM 2019 (nº 6)

FCC2019Analista Jurídico de Defensoria - Especialidade Ciências JurídicasLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.

Felicidade bioquímica

Os biólogos sustentam que nosso mundo mental e emocional é governado por mecanismos bioquímicos definidos por milhões de anos de evolução. Como todos os outros estados mentais, nosso bem-estar não é determinado por parâmetros externos como salário, relações sociais ou direitos políticos. Em vez disso, é determinado por um complexo sistema de nervos, neurônios, sinapses e várias substâncias bioquímicas como serotonina, dopamina e oxitocina.

Ninguém fica feliz por ganhar na loteria, comprar uma casa, obter uma promoção ou encontrar o amor verdadeiro. As pessoas ficam felizes por um único motivo: sensações agradáveis em seu corpo. Uma pessoa que acabou de ganhar na loteria e pula de alegria não está reagindo ao dinheiro; está reagindo a vários hormônios que inundam sua corrente sanguínea e à tempestade de sinais elétricos pipocando em diferentes partes de seu cérebro.

A felicidade e a infelicidade exercem um papel na evolução somente na medida em que encorajam ou desencorajam a sobrevivência e a reprodução. Talvez não cause surpresa, então, que a evolução tenha nos moldado para sermos nem felizes demais, nem infelizes demais. Ela nos permite sentir um ímpeto momentâneo de sensações agradáveis, mas estas nunca duram para sempre. Mais cedo ou mais tarde, diminuem e dão lugar a sensações desagradáveis de carência e insatisfação. Tão logo consigamos o que desejamos, não parecemos mais felizes, isso em nada muda a nossa bioquímica. Pode estimulá-la por um breve tempo, mas voltamos ao ponto inicial de expectativa de felicidade.


Atente para as seguintes frases:

I. Todos aspiramos à felicidade.
II. Nossa felicidade se enraíza em nosso corpo.
III. Em nosso corpo atuam substâncias bioquímicas.

As três orações acima integram-se com correção e coerência neste período único:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Para integrar orações de forma correta e coerente, é fundamental usar pronomes relativos e preposições adequados, que retomem os termos corretos e mantenham a regência verbal e o sentido original das frases.

(A) Correta: A frase "A felicidade a que aspiramos" está correta porque o verbo "aspirar" (no sentido de desejar) exige a preposição "a", que se une ao pronome relativo "que". A oração "enraíza-se em nosso corpo" mantém o sentido original. E "sobre o qual atuam substâncias bioquímicas" usa o pronome relativo "o qual" para retomar "corpo", e a preposição "sobre" é adequada para indicar a ação das substâncias no corpo, mantendo a coerência.
(B) Incorreta: O uso de "aonde" está errado, pois "atuar" não indica movimento; o correto seria "onde". Além disso, a frase original II ("Nossa felicidade se enraíza") é alterada para "nós enraizamos a felicidade", mudando a voz verbal e o sentido.
(C) Incorreta: A construção "em cujo as" é gramaticalmente incorreta; o pronome relativo "cujo" nunca é acompanhado de artigo (o, a, os, as). A frase também altera a voz verbal da oração original II.
(D) Incorreta: A oração "é nelas que para nós se enraízam a felicidade" altera o sentido original, pois a felicidade se enraíza no corpo, não nas substâncias. Há também um erro de concordância verbal: "se enraíza" (singular) para "a felicidade" (singular).
(E) Incorreta: A oração "onde todos aspiramos à felicidade" sugere que aspiramos à felicidade no corpo, o que não está implícito na frase original I. Além disso, "que nas mesmas se enraízam" retoma as substâncias e não o corpo, alterando o sentido original, e há erro de concordância verbal ("se enraíza" para "felicidade").

Armadilha do distrator mais tentador (C): A alternativa C é tentadora por tentar usar o pronome relativo cujo, que é mais complexo. Contudo, a armadilha está na construção "em cujo as", que é um erro gramatical grave. O pronome "cujo" (e suas variações) nunca é precedido ou seguido de artigo. Além disso, a mudança da voz verbal da oração original II também contribui para o erro.

Fonte: FCC DPE-AM 2019 Analista Jurídico de Defensoria - Especialidade Ciências Jurídicas (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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