Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FCC ALAP 2019 (nº 3)
"Máquinas similares às hoje existentes serão construídas a custos mais baixos, mas com velocidades mais rápidas de processamento." Assim, em um artigo de 1965, o empreendedor Gordon Moore, hoje com 90 anos de idade, apresentou sua célebre ideia. Pela "Lei de Moore", a cada dois anos, em média, o desempenho dos chips de computador dobra, sem que aumentem os custos de fabricação. A máxima, irretocável, à exceção de pequenos detalhes, funcionou tal qual intuíra Moore. É uma regra que pode, contudo, estar com os dias contados.
Vive-se, hoje, uma revolução tecnológica afeita a deixar no passado o raciocínio da duplicação de capacidade de cálculos à base de silício: é a computação quântica. Ela poderá nos levar a distâncias inimagináveis: tarefas que o computador mais poderoso do planeta demoraria 10.000 anos para completar seriam feitas em minutos.
A computação quântica, até o início desta década, não passava de teoria. Nos últimos anos, começou a ser testada, com sucesso parcial, até conseguir tração que parece se encaminhar para uma nova história. Um documento da NASA, vazado recentemente, mostra que uma empresa, ao criar o primeiro computador quântico funcional da história, pode estar próxima de romper com o paradigma imposto pela Lei de Moore.
A revelação foi resultado de uma distração. Algum funcionário da NASA, também envolvido com o projeto, acidentalmente publicou no site da agência espacial um estudo que mostra o feito, realizado por meio de uma máquina, ainda sob sigilo. O arquivo, já programado para ser divulgado oficialmente, permaneceu poucos segundos no ar, mas foi flagrado pelo jornal Financial Times*.*
O avanço ainda se restringe a âmbitos estritamente técnicos, sem utilidade cotidiana, mas já é apelidado de "o Santo Graal da computação". Isso porque o feito, se comprovado, atingiu o que se conhece como "supremacia quântica". A nomenclatura indica um momento da civilização em que os computadores talvez sejam tão (ou mais) competentes quanto os seres humanos.
O cientista da computação Scott Aaronson disse, em entrevista: "Isso não causará mudança imediata na vida das pessoas. Mas só por enquanto, pois se trata do início de um caminho que levará a transformações radicais em diversas áreas". Vale lembrar que o computador que usamos hoje também começou com um passo singelo, em 1843, quando a matemática inglesa Ada Lovelace (1815-1852) publicou um diagrama numérico que veio a ser considerado o primeiro algoritmo computacional.
(Adaptado de: Revista Veja, edição de 09/10/2019, p. 79)
O tempo verbal empregado indica o caráter hipotético do que se afirma no seguinte trecho:
- Atarefas que o computador mais poderoso do planeta demoraria 10.000 anos (alternativa correta)
- BA computação quântica, até o início desta década, não passava de teoria
- Ccom atributos que hoje se restringem à imaginação
- Do computador que usamos hoje
- Eum caminho que levará a transformações radicais em diversas áreas
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O futuro do pretérito (também conhecido como condicional) é o tempo verbal usado para expressar ações ou fatos que dependem de uma condição para acontecer, ou seja, que têm um caráter hipotético ou de possibilidade.
(A) Correta: O verbo "demoraria" está no futuro do pretérito do indicativo. Ele expressa uma ação que aconteceria (demorar 10.000 anos) sob uma condição específica (se não houvesse a computação quântica), contrastando com a nova realidade proposta (seriam feitas em minutos). Isso indica claramente uma hipótese ou uma situação que seria verdadeira sob certas circunstâncias.
(B) Incorreta: O verbo "não passava" está no pretérito imperfeito do indicativo. Este tempo verbal descreve uma ação ou estado que era contínuo ou habitual no passado, ou seja, um fato passado, não uma hipótese.
(C) Incorreta: Esta frase não se encontra no texto fornecido, impossibilitando sua análise contextual.
(D) Incorreta: O verbo "usamos" está no presente do indicativo. Ele indica uma ação ou estado que ocorre no momento atual, um fato presente, sem caráter hipotético.
(E) Incorreta: O verbo "levará" está no futuro do presente do indicativo. Este tempo verbal expressa uma ação que ocorrerá no futuro, apresentada como uma certeza ou uma forte probabilidade, e não como uma hipótese.
Fonte: FCC ALAP 2019 Assistente Legislativo - Assistente de Registro de Imagens (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.