Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Transpetro PSP 01/2017 2018 (nº 9)

CESGRANRIO2018Comum Grupo IILíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Como as espécies irão reagir às mudanças climáticas

A presença de gases de efeito estufa na atmosfera tem aumentado cada vez mais nas últimas décadas. Desde o início da Revolução Industrial, em 1760, a concentração desses gases cresceu mais de 30%. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC, na sigla em inglês), até o fim do século 21, a concentração de CO₂ pode chegar ao dobro da atual. Desde 2012, diversos estudos vêm sendo realizados na tentativa de desvendar o que irá acontecer caso as previsões dos cientistas se concretizem.

O CO₂, ou gás carbônico, é um dos principais responsáveis pelo efeito estufa na atmosfera, pois forma uma camada que impede que a radiação solar, refletida pela superfície em forma de calor, se dissipe no espaço, o que garante as condições de temperatura e clima necessários para a existência da vida na Terra.

As principais causas desse crescimento alarmante de gases de efeito estufa estão associadas à queima de combustíveis fósseis, às mudanças no uso do solo, à extinção de florestas, transformadas em áreas agrícolas ou urbanas. Uma consequência do aumento da concentração desses gases na atmosfera é a elevação da temperatura em até 5°C em algumas regiões do planeta até o final do século. Por exemplo, é esperada uma elevação da temperatura de até 6°C na região amazônica, além da redução em 45% do volume de chuvas. Essas alterações climáticas podem trazer diversas e catastróficas consequências, como ondas de calor e estiagens ou chuvas concentradas em determinados períodos.

Tais fatores afetarão a biodiversidade (riqueza e variedade do mundo natural) na Terra. Isso ocorre porque são as plantas, os animais e os microrganismos que fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima industrial consumida pelo ser humano. Além disso, afetarão, também, as interações entre espécies, a estrutura dos ecossistemas e a prestação de serviços ambientais, resultando em grandes — e talvez irreversíveis — impactos à vida na Terra.

Os efeitos das mudanças climáticas não são semelhantes em todos os lugares, ou seja, conhecimentos obtidos em um ambiente não serão necessariamente os mesmos em outros ambientes onde as espécies são diferentes e organizadas de maneiras distintas. Por exemplo, embora as espécies de plantas possam apresentar respostas parecidas ao aumento do CO₂ e da temperatura — como altas taxas de crescimento —, as consequências em um dado ecossistema podem ser o domínio de uma espécie com características invasoras, resultando em grandes problemas no funcionamento do ecossistema e até na extinção de espécies e perda da biodiversidade.

Pesquisadores de algumas universidades e centros de pesquisa brasileiros vêm realizando experimentos a fim de conhecer os efeitos das mudanças climáticas em espécies de interesse econômico: nativas, invasoras ou cultivadas. Entre os aspectos mais importantes a serem compreendidos, estão as alterações no desenvolvimento e na fotossíntese das plantas, e a consequência disso para as espécies que interagem com elas. Por exemplo, se algumas plantas sofrerem estresse pela elevação de temperatura em determinadas fases do desenvolvimento, o resultado pode ser devastador, comprometendo totalmente as colheitas. Esse é um dos aspectos mais preocupantes, no contexto de mudanças climáticas, por afetar diretamente a disponibilidade de alimentos e a segurança alimentar da humanidade.

Estudos como esses são de grande importância, pois só de plantas o Brasil tem em seu território mais de 55 mil espécies (cerca de 22% da diversidade mundial) em biomas bastante distintos: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.

O estado de alerta é mundial e crescente. A preocupação quanto ao futuro do planeta frente às mudanças climáticas aumentou o interesse em pesquisas científicas nessa área, mas ainda há muito a ser feito para que possamos entender como as espécies irão se adaptar (ou não) ao novo cenário climático. Assim, a ampliação desses estudos é fundamental e urgente para que possamos eficientemente nos adaptar e investir na mitigação dos impactos das mudanças climáticas.


A palavra ou a expressão destacada aparece grafada de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O segredo é decorar a função de cada forma: "porquê" (junto e com acento) é substantivo e significa "o motivo", "a razão". Ele sempre vem depois de artigo, pronome ou numeral ("o porquê", "um porquê", "meu porquê"). As outras formas têm funções diferentes: "porque" (junto, sem acento) é conjunção explicativa/causal; "por que" (separado, sem acento) equivale a "pelo qual" ou "por qual razão"; "por quê" (separado, com acento) fica no fim da frase, antes de ponto.

  • (A) Incorreta: "por que" aqui teria que ser a conjunção "porque" (pois), já que introduz uma explicação ("...regiões porque água e comida já se mostram escassas").
  • (B) Incorreta: o correto é "o porquê" (substantivo, com artigo "o" antes), e não "por quê", que só é usado no fim de frase interrogativa.
  • (C) Incorreta: a banca tenta confundir com a conjunção causal; o correto é "porque afeta a vida dos indivíduos" (junto, sem acento, explicando o motivo).
  • (D) Correta: "o porquê" é substantivo (vem depois do artigo "o") e significa "o motivo", "a razão" desse fato — exatamente o que a frase pede.
  • (E) Incorreta: a armadilha aqui é trocar o substantivo pela conjunção; o correto é "o porquê de as emissões..." (substantivo), e não "porque", que é conjunção.

Fonte: CESGRANRIO Transpetro PSP 01/2017 2018 Conhecimentos Comuns (Grupo II) (Caderno Prova única). Reproduzida para fins de estudo.

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