Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO BASA 01/2024 (nº 3)
Na era da inteligência artificial, como fica a segurança de dados?
Pesquisadores explicam que as novas técnicas de computação abrem novas possibilidades para golpes e invasões cibernéticas
As empresas de computação em nuvem chocaram o mundo com as inteligências artificiais lançadas no ano de 2023. Muitos se maravilharam com o mundo de possibilidades que esses programas inteligentes abriram. Já outros se chocaram com as implicações na área da segurança, direito autoral e na capacidade de distorção da realidade factual que as ferramentas novas proporcionam, e o debate pela regulamentação do uso segue em curso nas casas legislativas de diversos países.
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Conforme explica um professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, as ferramentas de inteligência artificial abrem novos perigos na área de segurança de dados em dois fronts diferentes. O primeiro deles está na encriptação e na desencriptação dos dados.
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“Existe de fato uma briga entre os que querem guardar informação sigilosa de forma segura e os que querem abrir essa informação para decifrar. Existem algoritmos clássicos que fazem isso e que podem ser melhorados com técnicas de inteligência artificial. Em particular, técnicas de aprendizado de máquina, aquelas que usam observações, experimentos, experiências para melhorar o desempenho de algoritmos”, explica o professor.
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A outra batalha é travada no meio da engenharia social, ou seja, os usuários mal-intencionados exploram as vulnerabilidades humanas de outros usuários para obter materiais confidenciais, como senhas bancárias, dados de navegação e outras informações de cunho particular.
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“As vulnerabilidades podem acontecer na medida em que você tem sistemas artificiais interagindo com os seres humanos. Você pode ter sistemas que, na interação com o usuário, obtêm dados inadvertidamente. Aí, o usuário é levado a revelá-los. Pode haver sistemas que também são feitos para interagir com o usuário de forma adequada, mas têm alguma falha. O usuário pode ser enganado e revelar essas informações para um outro agente inadequado”, conta ele.
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“A inteligência artificial consegue, com as velhas técnicas, simular situações da vida real. E, nesse sentido, a coisa ficou feia, um cidadão não consegue mais distinguir entre o artificial e o natural e pode ser enganado pela imagem e pela voz. Tudo que é simulado passa a ser quase natural para um cidadão comum.”
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Técnicas de autenticação de imagens e documentos podem auxiliar os usuários a não serem enganados com o uso da inteligência artificial. Algumas empresas, por exemplo, já colocam marcas d’água em todos os vídeos que a ferramenta produz, outra maneira de impedir o uso malicioso da IA generativa. E, é claro, crimes cibernéticos também são crimes, e também é papel da Justiça agir nesses casos para punir os criminosos: “Os crimes de falsificação ficam mais fáceis com esses processadores mais potentes. É simulada alguma coisa verdadeira, mas quem é que programa esses simuladores? São pessoas hábeis, com talento para programar, mas é sempre um ser humano por trás”, conclui o professor.
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No texto, o referente da expressão em destaque está corretamente explicitado entre colchetes no
- Aparágrafo 1: “Muitos se maravilharam com o mundo de possibilidades que esses programas inteligentes abriram.” [computação em nuvem]
- Bparágrafo 3: “Existe de fato uma briga entre os que querem guardar informação sigilosa de forma segura e os que querem abrir essa informação para decifrar.” [informação sigilosa] (alternativa correta)
- Cparágrafo 3: “Existem algoritmos clássicos que fazem isso e que podem ser melhorados com técnicas de inteligência artificial.” [guardar informação sigilosa]
- Dparágrafo 5: “Você pode ter sistemas que, na interação com o usuário, obtêm dados inadvertidamente. Aí, o usuário é levado a revelá-los.” [sistemas artificiais]
- Eparágrafo 7: “É simulada alguma coisa verdadeira, mas quem é que programa esses simuladores?” [crimes de falsificação]
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Conceito-chave: Referenciação é o processo de usar palavras (pronomes, artigos, expressões) para retomar ou antecipar outras palavras ou ideias já ditas no texto, criando uma "corrente" de sentido. Para achar o referente, você deve perguntar: "Essa expressão está substituindo qual termo exato que veio antes?"
- (A) Incorreta: O referente de "esses programas inteligentes" são as inteligências artificiais lançadas em 2023, não a "computação em nuvem" (que é a plataforma onde elas rodam). A banca troca o continente pelo conteúdo.
- (B) Correta: O pronome demonstrativo "essa" exige que o substantivo já tenha sido mencionado. No parágrafo 3, o termo exato anterior é "informação sigilosa" (que aparece na primeira oração). A expressão "essa informação" retoma diretamente esse substantivo, mantendo a coesão referencial anafórica.
- (C) Incorreta: O pronome "isso" retoma a ação completa de "guardar informação sigilosa de forma segura e abrir essa informação para decifrar" (o embate entre as duas ações). A banca reduz o referente a apenas uma das partes, mas o "isso" engloba a briga inteira citada antes.
- (D) Incorreta: O pronome "los" (revelá-los) substitui "dados" (obtêm dados inadvertidamente), não "sistemas artificiais". A armadilha está em achar que o pronome se refere ao agente da ação, mas ele se refere ao objeto que é obtido e revelado.
- (E) Incorreta: "Esses simuladores" retoma "processadores mais potentes" (mencionados na frase anterior), que são as ferramentas usadas para simular. A banca tenta confundir com "crimes de falsificação", que são o resultado do uso dos simuladores, não os simuladores em si.
Fonte: CESGRANRIO BASA 01/2024 Técnico Bancário (Caderno Prova A - Gabarito 1). Reproduzida para fins de estudo.