Questão nº 2
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO BASA 01/2024 (nº 2)
Na era da inteligência artificial, como fica a segurança de dados?
Pesquisadores explicam que as novas técnicas de computação abrem novas possibilidades para golpes e invasões cibernéticas
As empresas de computação em nuvem chocaram o mundo com as inteligências artificiais lançadas no ano de 2023. Muitos se maravilharam com o mundo de possibilidades que esses programas inteligentes abriram. Já outros se chocaram com as implicações na área da segurança, direito autoral e na capacidade de distorção da realidade factual que as ferramentas novas proporcionam, e o debate pela regulamentação do uso segue em curso nas casas legislativas de diversos países.
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Conforme explica um professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, as ferramentas de inteligência artificial abrem novos perigos na área de segurança de dados em dois fronts diferentes. O primeiro deles está na encriptação e na desencriptação dos dados.
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“Existe de fato uma briga entre os que querem guardar informação sigilosa de forma segura e os que querem abrir essa informação para decifrar. Existem algoritmos clássicos que fazem isso e que podem ser melhorados com técnicas de inteligência artificial. Em particular, técnicas de aprendizado de máquina, aquelas que usam observações, experimentos, experiências para melhorar o desempenho de algoritmos”, explica o professor.
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A outra batalha é travada no meio da engenharia social, ou seja, os usuários mal-intencionados exploram as vulnerabilidades humanas de outros usuários para obter materiais confidenciais, como senhas bancárias, dados de navegação e outras informações de cunho particular.
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“As vulnerabilidades podem acontecer na medida em que você tem sistemas artificiais interagindo com os seres humanos. Você pode ter sistemas que, na interação com o usuário, obtêm dados inadvertidamente. Aí, o usuário é levado a revelá-los. Pode haver sistemas que também são feitos para interagir com o usuário de forma adequada, mas têm alguma falha. O usuário pode ser enganado e revelar essas informações para um outro agente inadequado”, conta ele.
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“A inteligência artificial consegue, com as velhas técnicas, simular situações da vida real. E, nesse sentido, a coisa ficou feia, um cidadão não consegue mais distinguir entre o artificial e o natural e pode ser enganado pela imagem e pela voz. Tudo que é simulado passa a ser quase natural para um cidadão comum.”
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Técnicas de autenticação de imagens e documentos podem auxiliar os usuários a não serem enganados com o uso da inteligência artificial. Algumas empresas, por exemplo, já colocam marcas d’água em todos os vídeos que a ferramenta produz, outra maneira de impedir o uso malicioso da IA generativa. E, é claro, crimes cibernéticos também são crimes, e também é papel da Justiça agir nesses casos para punir os criminosos: “Os crimes de falsificação ficam mais fáceis com esses processadores mais potentes. É simulada alguma coisa verdadeira, mas quem é que programa esses simuladores? São pessoas hábeis, com talento para programar, mas é sempre um ser humano por trás”, conclui o professor.
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De acordo com a ordem das ideias apresentadas no texto, observa-se que, depois de explicar que a inteligência artificial consegue simular situações da vida real de modo que as pessoas não consigam mais distinguir entre o artificial e o natural, sendo enganados pela imagem e pela voz, o texto se refere à ideia de que
- Aa inteligência artificial tem provocado reações positivas e negativas devido às inúmeras possibilidades, como por exemplo a capacidade de distorção da realidade factual que as novas ferramentas proporcionam.
- Bas ferramentas de inteligência artificial provocam novos perigos na área de segurança, que ocorrem tanto na encriptação como na desencriptação de dados.
- Cos usuários mal-intencionados exploram as vulnerabilidades humanas de outros usuários para obter materiais confidenciais, como senhas bancárias, dados de navegação e outras informações de cunho particular.
- Duma forma de realizar a autenticação de imagens e documentos é utilizar marcas d’água que possam evitar o uso malicioso da inteligência artificial. (alternativa correta)
- Eos sistemas ficam vulneráveis porque os usuários são enganados e levados a revelar informações que deveriam ser sigilosas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conceito-chave: A questão testa se você acompanha a ordem das ideias do texto, não o tema geral. Depois que o professor fala que a IA engana as pessoas (parágrafo 5), o texto imediatamente apresenta a solução para esse problema (parágrafo 6): autenticação de imagens e marcas d’água. A pegadinha é escolher uma ideia que aparece antes ou que é verdadeira, mas não é a que vem logo depois da frase citada.
- (A) Incorreta: Essa reação mista (positiva/negativa) é dita no primeiro parágrafo, antes de toda a discussão sobre segurança; não é a continuação da ideia sobre a simulação da realidade.
- (B) Incorreta: A encriptação/desencriptação é o primeiro front de perigo, explicado nos parágrafos 1 e 2, muito antes da parte sobre a simulação de voz e imagem.
- (C) Incorreta: A engenharia social (explorar vulnerabilidades humanas) é o segundo front, tratado nos parágrafos 3 e 4, também antes da conclusão sobre o cidadão não distinguir o artificial do natural.
- (D) Correta: Exatamente após o professor dizer que as pessoas são enganadas por imagem e voz (parágrafo 5), o texto afirma que “técnicas de autenticação de imagens e documentos” e “marcas d’água” são formas de impedir o uso malicioso — essa é a sequência direta.
- (E) Incorreta: Essa frase é uma repetição do que já foi dito no parágrafo 4 (usuário enganado revela dados), ou seja, é uma ideia anterior, não a que vem depois da constatação sobre a simulação da realidade.
Fonte: CESGRANRIO BASA 01/2024 Técnico Bancário (Caderno Prova A - Gabarito 1). Reproduzida para fins de estudo.