Questão nº 1
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Banco do Brasil 02/2013 (nº 1)
100 Coisas
É febre. Livros listando as cem coisas que você
deve fazer antes de morrer, os cem lugares que você
deve conhecer antes de morrer, os cem pratos que
você deve provar antes de morrer. Primeiramente,
me espanta o fato de todos terem a certeza absolu-
ta de que você vai morrer. Eu prefiro encarar a mor-
te como uma hipótese. Mas, no caso, de acontecer,
serei obrigada mesmo a cumprir todas essas metas
antes? Não dá pra fechar por cinquenta em vez de
cem?
Outro dia estava assistindo a um DVD promo-
cional que também mostra, como imaginei, as cem
coisas que a gente precisa porque precisa fazer an-
tes de morrer. Me deu uma angústia, pois, das cem,
eu fiz onze até agora. Falta muito ainda. Falta dirigir
uma Ferrari, fazer um safári, frequentar uma praia de
nudismo, comer algo exótico (um baiacu venenoso,
por exemplo), visitar um vulcão ativo, correr uma ma-
ratona [...].
Se dependesse apenas da minha vontade, eu já
teria um plano de ação esquematizado, mas quem
fica com as crianças? Conseguirei cinco férias por
ano? E quem patrocina essa brincadeira?
Hoje é dia de mais um sorteio da Mega-Sena.
O prêmio está acumulado em cinquenta milhões de
reais. A maioria das pessoas, quando perguntadas
sobre o que fariam com a bolada, responde: pagar
dívidas, comprar um apartamento, um carro, uma
casa na serra, outra na praia, garantir a segurança
dos filhos e guardar o resto para a velhice.
Normal. São desejos universais. Mas fica aqui
um convite para sonhar com mais criatividade. Arran-
je uma dessas listas de cem coisas pra fazer e procu-
re divertir-se com as opções [...]. Não pense tanto em
comprar mas em viver.
Eu, que não apostei na Mega-Sena, por enquan-
to sigo com a minha lista de cem coisas a evitar antes
de morrer. É divertido também, e bem mais fácil de
realizar, nem precisa de dinheiro.
A afirmativa "É febre" (ℓ. 1), com que é iniciado o texto,
indica que há, no momento, na sociedade um(a)
- Acomportamento que afeta todas as pessoas.
- Bdoença para a qual não existe remédio.
- Cdesejo que se espalha entre pessoas. (alternativa correta)
- Dinfecção que se dissemina.
- Epraga a ser evitada.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: A expressão “É febre” é uma metáfora do cotidiano: assim como uma febre (doença) se espalha rapidamente entre as pessoas, uma moda, um desejo ou um comportamento também se alastra de forma veloz e contagiosa. No texto, o sentido é figurado, não literal — não se trata de doença real, mas de uma tendência que “pega” na sociedade.
- (A) Incorreta: A expressão indica algo que se espalha, mas não que afeta todas as pessoas (a autora mesma se exclui, dizendo que prefere “evitar” a lista). É uma generalização exagerada, não o sentido da metáfora.
- (B) Incorreta: “Febre” aqui é usada em sentido figurado (moda passageira), não como doença literal. A banca quer que você não caia na pegadinha do sentido denotativo (literal) da palavra.
- (C) Correta: “É febre” = é um desejo (fazer as 100 coisas) que se espalha como uma onda entre as pessoas, virando moda. É exatamente o que o texto descreve: livros e listas que “todo mundo” está seguindo.
- (D) Incorreta: “Infecção” é outro termo da área médica, mas também é literal demais. A autora não está doente; está criticando uma tendência social. A pegadinha aqui é associar “febre” a “infecção” por campo semântico, mas o contexto exige sentido figurado.
- (E) Incorreta: “Praga” sugere algo negativo a ser evitado, mas a autora não diz que a febre é uma praga; ela apenas ironiza a obrigação de cumprir a lista. O tom é de crítica bem-humorada, não de repulsa.
Fonte: CESGRANRIO Banco do Brasil 02/2013 Escriturário (Caderno Prova 1). Reproduzida para fins de estudo.