Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR (nº 7)
A inteligência artificial (IA) está transformando a maneira como as políticas públicas são formuladas e implementadas em todo o mundo. A sua capacidade de processar grandes volumes de dados em alta velocidade e identificar padrões complexos oferece oportunidades para a melhoria da eficiência e da eficácia das ações governamentais, desde a otimização de serviços públicos até a formulação de políticas baseadas em evidências. Assim, a IA passou a ser considerada uma ferramenta essencial para os governos enfrentarem diversos desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas e questões de saúde pública e segurança.
Uma das principais áreas de impacto da IA nas políticas públicas é a gestão de recursos públicos. As aplicações de IA podem analisar grandes quantidades de dados financeiros e operacionais, a fim de identificar ineficiências e desperdícios, e permitir uma melhor alocação de recursos. Além disso, essas tecnologias proporcionam a automação de processos burocráticos, para reduzir custos operacionais e possibilitar que os servidores públicos atuem em tarefas de maior valor agregado.
O Poder Judiciário é outro setor em que a IA tem um impacto crescente. As ferramentas são utilizadas para auxiliar juízes na tomada de decisões, o que reduz o tempo de tramitação dos processos e melhora a consistência das decisões judiciais. Contudo, isso leva a questões éticas e legais sobre a transparência e a imparcialidade dos algoritmos, bem como sobre o papel do ser humano na tomada de decisões judiciais.
De forma ampla, a administração pública é impactada pela IA, especialmente no que diz respeito à automação de processos e à análise de grandes volumes de dados. A análise de dados em tempo real permite que os gestores públicos tomem decisões mais informadas e respondam rapidamente a mudanças nas condições socioeconômicas. Contudo, a adoção da IA no setor público também exige uma reformulação das práticas regulatórias, para garantir que os benefícios sejam distribuídos de forma equitativa e que os riscos sejam adequadamente gerenciados.
Apesar dos diversos benefícios que a IA pode trazer para as políticas públicas, os desafios associados ao seu uso não podem ser ignorados. Questões controversas, como a discriminação algorítmica, a proteção da privacidade e de dados pessoais, a transparência e a responsabilidade, são fundamentais para o debate sobre a adoção de IA em políticas públicas.
Considerando as regras gramaticais relativas à concordância e à colocação pronominal, assinale a opção em que é apresentada uma proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o seguinte trecho do texto CG2A1: "os desafios associados ao seu uso não podem ser ignorados" (primeiro período do último parágrafo).
- Anão pode-se ignorarem os desafios associados ao seu uso
- Bnão podem ignorarem-se os desafios associados ao seu uso
- Cnão se podem ignorarem os desafios associados ao seu uso
- Dnão podem ignorar os desafios associados ao seu uso
- Enão se podem ignorar os desafios associados ao seu uso (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Com a partícula “se” (índice de indeterminação do sujeito ou partícula apassivadora), o verbo concorda com o termo que vem depois dele. No caso, “os desafios” é o sujeito paciente (plural), então o verbo “ignorar” deve ficar no plural: “ignorarem”. A colocação do pronome “se” é enclítica ao verbo auxiliar “podem” (não se separa o “se” do verbo principal por hífen quando há locução verbal).
- (A) Incorreta: “não pode-se ignorarem” – erro duplo: o “se” deveria vir depois de “podem” (e não de “pode”), e o verbo “ignorar” está no plural sem necessidade de “-em” após o “se” (a forma correta seria “podem-se ignorar”).
- (B) Incorreta: “não podem ignorarem-se” – o “se” não pode ser colocado no infinitivo “ignorarem”; em locução verbal, o pronome fica junto ao verbo auxiliar (“podem-se”).
- (C) Incorreta: “não se podem ignorarem” – o verbo principal “ignorar” não leva a desinência “-em” quando o “se” está antes; o correto é “ignorar” (infinitivo) após o auxiliar conjugado.
- (D) Incorreta: “não podem ignorar os desafios” – gramaticalmente correta, mas incoerente com o texto original, que usa a voz passiva com “se” (indeterminando o agente). A reescrita muda o sentido, pois elimina a noção de “os desafios não podem ser ignorados (por alguém)”.
- (E) Correta: “não se podem ignorar os desafios” – mantém a voz passiva sintética: “os desafios” (sujeito paciente, plural) concorda com o verbo “podem” (plural) e o infinitivo “ignorar” fica invariável; a próclise é obrigatória pela palavra negativa “não” antes do verbo.
Fonte: CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR Conhecimentos Comuns (Cargos 2 e 4). Reproduzida para fins de estudo.