Questão nº 12
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR (nº 12)
A inteligência artificial (IA) está transformando a maneira como as políticas públicas são formuladas e implementadas em todo o mundo. A sua capacidade de processar grandes volumes de dados em alta velocidade e identificar padrões complexos oferece oportunidades para a melhoria da eficiência e da eficácia das ações governamentais, desde a otimização de serviços públicos até a formulação de políticas baseadas em evidências. Assim, a IA passou a ser considerada uma ferramenta essencial para os governos enfrentarem diversos desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas e questões de saúde pública e segurança.
Uma das principais áreas de impacto da IA nas políticas públicas é a gestão de recursos públicos. As aplicações de IA podem analisar grandes quantidades de dados financeiros e operacionais, a fim de identificar ineficiências e desperdícios, e permitir uma melhor alocação de recursos. Além disso, essas tecnologias proporcionam a automação de processos burocráticos, para reduzir custos operacionais e possibilitar que os servidores públicos atuem em tarefas de maior valor agregado.
O Poder Judiciário é outro setor em que a IA tem um impacto crescente. As ferramentas são utilizadas para auxiliar juízes na tomada de decisões, o que reduz o tempo de tramitação dos processos e melhora a consistência das decisões judiciais. Contudo, isso leva a questões éticas e legais sobre a transparência e a imparcialidade dos algoritmos, bem como sobre o papel do ser humano na tomada de decisões judiciais.
De forma ampla, a administração pública é impactada pela IA, especialmente no que diz respeito à automação de processos e à análise de grandes volumes de dados. A análise de dados em tempo real permite que os gestores públicos tomem decisões mais informadas e respondam rapidamente a mudanças nas condições socioeconômicas. Contudo, a adoção da IA no setor público também exige uma reformulação das práticas regulatórias, para garantir que os benefícios sejam distribuídos de forma equitativa e que os riscos sejam adequadamente gerenciados.
Apesar dos diversos benefícios que a IA pode trazer para as políticas públicas, os desafios associados ao seu uso não podem ser ignorados. Questões controversas, como a discriminação algorítmica, a proteção da privacidade e de dados pessoais, a transparência e a responsabilidade, são fundamentais para o debate sobre a adoção de IA em políticas públicas.
Internet: https://revistajuridica.presidencia.gov.br (com adaptações).
Considerando as regras gramaticais relativas à concordância e à colocação pronominal, assinale a opção em que é apresentada uma proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o seguinte trecho do texto CG2A1: "os desafios associados ao seu uso não podem ser ignorados" (primeiro período do último parágrafo).
- Anão se podem ignorarem os desafios associados ao seu uso
- Bnão podem ignorar os desafios associados ao seu uso
- Cnão se podem ignorar os desafios associados ao seu uso (alternativa correta)
- Dnão pode-se ignorarem os desafios associados ao seu uso
- Enão podem ignorarem-se os desafios associados ao seu uso
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: Na voz passiva sintética, o pronome "se" (partícula apassivadora) acompanha o verbo no plural se o sujeito (o que sofre a ação) estiver no plural. Aqui, "os desafios" é o sujeito paciente, então o verbo "ignorar" deve concordar com ele: "os desafios não podem ser ignorados" → "não se podem ignorar os desafios". A armadilha é achar que o "se" atrai o verbo para o singular ou que o verbo deve ficar no infinitivo com "em".
- (A) Incorreta: "ignorarem" está no infinitivo pessoal flexionado, o que é redundante e errado com a locução "podem ignorar" na voz passiva sintética; o correto é o infinitivo impessoal "ignorar".
- (B) Incorreta: Sem o "se", a frase perde a voz passiva e o sentido muda: "os desafios não podem ignorar" (como se os desafios fossem agentes), o que é incoerente.
- (C) Correta: "não se podem ignorar os desafios" — o "se" é partícula apassivadora, o sujeito é "os desafios" (plural), então o verbo auxiliar "podem" concorda no plural e o principal fica no infinitivo "ignorar". Perfeita concordância e colocação pronominal (ênclise proibida após "não", que exige próclise).
- (D) Incorreta: "pode-se" está no singular, mas o sujeito "os desafios" é plural; além disso, "ignorarem" no infinitivo flexionado é erro. A próclise após "não" também não foi respeitada ("não pode-se" é proibido).
- (E) Incorreta: "ignorarem-se" é um erro duplo: o verbo principal não pode ser flexionado no plural com "se" apassivador (o correto é "ignorar"), e a ênclise no infinitivo após "não" é inadequada (o "não" exige próclise).
Fonte: CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR Auditor de Controle Externo - Área: Tecnologia da Informação. Reproduzida para fins de estudo.