Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR (nº 9)

CEBRASPE2025Auditor de Controle Externo - Área: DireitoLíngua Portuguesa
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A inteligência artificial (IA) está transformando a maneira como as políticas públicas são formuladas e implementadas em todo o mundo. A sua capacidade de processar grandes volumes de dados em alta velocidade e identificar padrões complexos oferece oportunidades para a melhoria da eficiência e da eficácia das ações governamentais, desde a otimização de serviços públicos até a formulação de políticas baseadas em evidências. Assim, a IA passou a ser considerada uma ferramenta essencial para os governos enfrentarem diversos desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas e questões de saúde pública e segurança.

Uma das principais áreas de impacto da IA nas políticas públicas é a gestão de recursos públicos. As aplicações de IA podem analisar grandes quantidades de dados financeiros e operacionais, a fim de identificar ineficiências e desperdícios, e permitir uma melhor alocação de recursos. Além disso, essas tecnologias proporcionam a automação de processos burocráticos, para reduzir custos operacionais e possibilitar que os servidores públicos atuem em tarefas de maior valor agregado.

O Poder Judiciário é outro setor em que a IA tem um impacto crescente. As ferramentas são utilizadas para auxiliar juízes na tomada de decisões, o que reduz o tempo de tramitação dos processos e melhora a consistência das decisões judiciais. Contudo, isso leva a questões éticas e legais sobre a transparência e a imparcialidade dos algoritmos, bem como sobre o papel do ser humano na tomada de decisões judiciais.

De forma ampla, a administração pública é impactada pela IA, especialmente no que diz respeito à automação de processos e à análise de grandes volumes de dados. A análise de dados em tempo real permite que os gestores públicos tomem decisões mais informadas e respondam rapidamente a mudanças nas condições socioeconômicas. Contudo, a adoção da IA no setor público também exige uma reformulação das práticas regulatórias, para garantir que os benefícios sejam distribuídos de forma equitativa e que os riscos sejam adequadamente gerenciados.

Apesar dos diversos benefícios que a IA pode trazer para as políticas públicas, os desafios associados ao seu uso não podem ser ignorados. Questões controversas, como a discriminação algorítmica, a proteção da privacidade e de dados pessoais, a transparência e a responsabilidade, são fundamentais para o debate sobre a adoção de IA em políticas públicas.


No trecho "que os benefícios sejam distribuídos de forma equitativa e que os riscos sejam adequadamente gerenciados" (último período do quarto parágrafo do texto CG2A1), as orações iniciadas pelo vocábulo "que" classificam-se sintaticamente como

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Conceito-chave: Orações subordinadas substantivas objetivas diretas funcionam como o objeto direto do verbo da oração principal (ou seja, respondem “o quê?” ou “quem?” após o verbo, sem preposição). No trecho, o verbo “garantir” é transitivo direto, e as duas orações iniciadas por “que” completam esse verbo: “garantir que os benefícios sejam distribuídos...” e “garantir que os riscos sejam gerenciados”.

  • (A) Incorreta: Não são adverbiais finais, pois não expressam finalidade (não respondem a “para quê?”); elas completam o sentido do verbo “garantir”, não modificam a ação como um adjunto.
  • (B) Correta: São subordinadas substantivas objetivas diretas, pois funcionam como objeto direto do verbo transitivo direto “garantir” (garantir o quê? → que os benefícios sejam distribuídos...). A conjunção “que” é integrante, e as duas orações são coordenadas entre si, mas subordinadas ao verbo principal.
  • (C) Incorreta: Não são coordenadas sindéticas aditivas, pois não estão ligadas por conjunção aditiva (como “e”, “nem”) a outra oração independente; elas estão subordinadas ao verbo “garantir”.
  • (D) Incorreta: Não são adjetivas explicativas, pois não caracterizam um substantivo antecedente (não há um nome que elas modifiquem); adjetivas vêm sempre após um substantivo e podem ser retiradas sem prejuízo sintático.
  • (E) Incorreta: Não são adjetivas restritivas, pelo mesmo motivo: não há um substantivo antecedente que elas restrinjam; elas exercem função de complemento verbal, não de adjunto adnominal.

Armadilha da banca: O distrator mais tentador é a letra A (finais), porque a ideia de “garantir” pode sugerir uma finalidade (“para que os benefícios sejam distribuídos...”). Mas a banca quer que você perceba que a oração é exigida pelo verbo (complemento), e não um adjunto que indica propósito. Se você trocar por “a fim de que” e a frase ficar estranha, não é final. Outra pegadinha é a letra C, pois há duas orações com “que” unidas por “e”, mas elas são coordenadas entre si e, juntas, subordinadas ao verbo principal — a classificação sintática pedida é da relação com o verbo “garantir”, não entre elas.

Fonte: CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR Auditor de Controle Externo - Área: Direito. Reproduzida para fins de estudo.

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