Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR (nº 11)
A inteligência artificial (IA) está transformando a maneira como as políticas públicas são formuladas e implementadas em todo o mundo. A sua capacidade de processar grandes volumes de dados em alta velocidade e identificar padrões complexos oferece oportunidades para a melhoria da eficiência e da eficácia das ações governamentais, desde a otimização de serviços públicos até a formulação de políticas baseadas em evidências. Assim, a IA passou a ser considerada uma ferramenta essencial para os governos enfrentarem diversos desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas e questões de saúde pública e segurança.
Uma das principais áreas de impacto da IA nas políticas públicas é a gestão de recursos públicos. As aplicações de IA podem analisar grandes quantidades de dados financeiros e operacionais, a fim de identificar ineficiências e desperdícios, e permitir uma melhor alocação de recursos. Além disso, essas tecnologias proporcionam a automação de processos burocráticos, para reduzir custos operacionais e possibilitar que os servidores públicos atuem em tarefas de maior valor agregado.
O Poder Judiciário é outro setor em que a IA tem um impacto crescente. As ferramentas são utilizadas para auxiliar juízes na tomada de decisões, o que reduz o tempo de tramitação dos processos e melhora a consistência das decisões judiciais. Contudo, isso leva a questões éticas e legais sobre a transparência e a imparcialidade dos algoritmos, bem como sobre o papel do ser humano na tomada de decisões judiciais.
De forma ampla, a administração pública é impactada pela IA, especialmente no que diz respeito à automação de processos e à análise de grandes volumes de dados. A análise de dados em tempo real permite que os gestores públicos tomem decisões mais informadas e respondam rapidamente a mudanças nas condições socioeconômicas. Contudo, a adoção da IA no setor público também exige uma reformulação das práticas regulatórias, para garantir que os benefícios sejam distribuídos de forma equitativa e que os riscos sejam adequadamente gerenciados.
Apesar dos diversos benefícios que a IA pode trazer para as políticas públicas, os desafios associados ao seu uso não podem ser ignorados. Questões controversas, como a discriminação algorítmica, a proteção da privacidade e de dados pessoais, a transparência e a responsabilidade, são fundamentais para o debate sobre a adoção de IA em políticas públicas.
Considerando as regras gramaticais relativas à concordância e à colocação pronominal, assinale a opção em que é apresentada uma proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o seguinte trecho do texto CG2A1: "os desafios associados ao seu uso não podem ser ignorados" (primeiro período do último parágrafo).
- Anão se podem ignorarem os desafios associados ao seu uso
- Bnão podem ignorar os desafios associados ao seu uso
- Cnão se podem ignorar os desafios associados ao seu uso (alternativa correta)
- Dnão pode-se ignorarem os desafios associados ao seu uso
- Enão podem ignorarem-se os desafios associados ao seu uso
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
-
Conceito-chave: Na voz passiva sintética, o pronome "se" (partícula apassivadora) exige que o verbo concorde com o sujeito paciente. Se o sujeito for plural ("os desafios"), o verbo vai para o plural ("podem"), e o verbo principal fica no infinitivo ("ignorar"), sem desinência de plural.
-
(A) Incorreta: "ignorarem" está no infinitivo flexionado (plural), o que é errado após verbo auxiliar "podem" na locução passiva; o correto é o infinitivo impessoal "ignorar".
-
(B) Incorreta: Sem o "se", a frase muda o sentido: o sujeito de "ignorar" seria indeterminado ou "eles" (os desafios), mas "os desafios" não podem ignorar nada; quebra a coerência e a voz passiva original.
-
(C) Correta: "não se podem ignorar os desafios" — "se" é partícula apassivadora; "os desafios" é sujeito paciente no plural, exigindo "podem" no plural e o verbo principal "ignorar" no infinitivo invariável. Reescrita fiel ao sentido original.
-
(D) Incorreta: "pode-se" não concorda com o sujeito plural "os desafios" (deveria ser "podem-se"), e "ignorarem" está indevidamente flexionado no infinitivo.
-
(E) Incorreta: "ignorarem-se" coloca o "se" após o verbo principal, mas o correto é após o auxiliar ("podem-se"); além disso, "ignorarem" está no plural indevido, pois o verbo principal na locução passiva fica no infinitivo invariável.
Fonte: CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR Auditor de Controle Externo - Área: Direito. Reproduzida para fins de estudo.