Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE STM 2025 (nº 7)
Desde que não seja um satélite natural, como a Lua, um corpo celeste do sistema solar merece o status de planeta apenas se obedecer a três condições: estar em órbita em torno do Sol; ter massa suficiente para que sua gravidade o leve a apresentar uma forma quase redonda; e ter a vizinhança de sua órbita livre de objetos significativos que possam entrar no seu caminho. Foi com esse trio de regras objetivas que a União Astronômica Internacional (IAU) aposentou, em 26/8/2006, o conceito antigo e vago de planeta, associado à ideia de um corpo errante e luminoso que podia ser visto no céu.
Os oito primeiros planetas do sistema solar (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) se encaixavam na nova caracterização. O então ainda considerado nono planeta, o caçulinha da turma, descoberto apenas em 1930, não. “Plutão é um ‘planeta anão’ segundo a definição acima e é reconhecido como o protótipo de uma nova categoria de objetos transnetunianos [situados depois de Netuno]”, escreveu a direção da IAU na resolução B6, divulgada naquela data.
No mesmo documento, a entidade determina que um planeta anão, além de não ser um satélite, deve obedecer às duas primeiras condições impostas aos planetas, mas não é necessário que sua órbita seja livre de outros corpos celestes.
As decisões da resolução resguardaram o conceito de planeta dentro do sistema solar para apenas oito objetos conhecidos. Se a mudança não tivesse sido adotada, outros objetos do cinturão de Kuiper, muito parecidos com Plutão, também teriam de ser considerados planetas. Descoberto em 2005, o objeto transnetuniano denominado Éris era um desses casos. Com massa maior que a de Plutão, chegou a ser anunciado como um novo planeta — até que a resolução da IAU barrou sua entrada no clube planetário, expulsou Plutão da turma e reduziu seus membros a oito.
Considerando a organização do texto anterior, seus aspectos linguísticos e as informações nele veiculadas, julgue os itens a seguir.
A oração “Se a mudança não tivesse sido adotada” (segundo período do último parágrafo) expressa uma hipótese.
Resposta comentada
Uma oração condicional é a que apresenta uma hipótese ou suposição — algo que pode ou não acontecer (ou que poderia ou não ter acontecido). Ela costuma vir introduzida por conjunções como se, caso, desde que, contanto que. Aqui, "Se a mudança não tivesse sido adotada" projeta um cenário hipotético (contrário aos fatos, inclusive): a mudança foi adotada, mas o autor imagina o que ocorreria caso não tivesse sido.
- Correta: Certo. A oração introduzida por se expressa justamente uma hipótese (irreal, no passado), o que caracteriza a condicional.
Fica de olho: a banca costuma trocar o rótulo e dizer que a oração expressa causa, concessão ou consequência — ou afirmar que, por estar no pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo ("tivesse sido"), seria uma oração temporal ou adverbial de tempo. Não caia: o gatilho é o se hipotético + verbo no subjuntivo = condição/hipótese.
Fonte: CEBRASPE STM 2025 Analista Judiciário – Área: Administrativa. Reproduzida para fins de estudo.