Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE STM 2025 (nº 5)

CEBRASPE2025Analista Judiciário – Área: AdministrativaLíngua Portuguesa

Desde que não seja um satélite natural, como a Lua, um corpo celeste do sistema solar merece o status de planeta apenas se obedecer a três condições: estar em órbita em torno do Sol; ter massa suficiente para que sua gravidade o leve a apresentar uma forma quase redonda; e ter a vizinhança de sua órbita livre de objetos significativos que possam entrar no seu caminho. Foi com esse trio de regras objetivas que a União Astronômica Internacional (IAU) aposentou, em 26/8/2006, o conceito antigo e vago de planeta, associado à ideia de um corpo errante e luminoso que podia ser visto no céu.

Os oito primeiros planetas do sistema solar (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) se encaixavam na nova caracterização. O então ainda considerado nono planeta, o caçulinha da turma, descoberto apenas em 1930, não. “Plutão é um ‘planeta anão’ segundo a definição acima e é reconhecido como o protótipo de uma nova categoria de objetos transnetunianos [situados depois de Netuno]”, escreveu a direção da IAU na resolução B6, divulgada naquela data.

No mesmo documento, a entidade determina que um planeta anão, além de não ser um satélite, deve obedecer às duas primeiras condições impostas aos planetas, mas não é necessário que sua órbita seja livre de outros corpos celestes.

As decisões da resolução resguardaram o conceito de planeta dentro do sistema solar para apenas oito objetos conhecidos. Se a mudança não tivesse sido adotada, outros objetos do cinturão de Kuiper, muito parecidos com Plutão, também teriam de ser considerados planetas. Descoberto em 2005, o objeto transnetuniano denominado Éris era um desses casos. Com massa maior que a de Plutão, chegou a ser anunciado como um novo planeta — até que a resolução da IAU barrou sua entrada no clube planetário, expulsou Plutão da turma e reduziu seus membros a oito.

Considerando a organização do texto anterior, seus aspectos linguísticos e as informações nele veiculadas, julgue os itens a seguir.


No segmento “mas não é necessário que sua órbita seja livre de outros corpos celestes” (terceiro parágrafo), a conjunção “mas” está empregada com sentido aditivo, podendo, portanto, ser substituída, sem alteração do sentido original do texto, pela conjunção e.

Resposta comentada

O conectivo "mas" é uma conjunção adversativa: ele marca oposição, contraste, quebra de expectativa entre duas ideias. Já o "e" é aditivo: apenas soma informações, sem criar contraste.

  • Correta: Errado. O "mas" tem valor adversativo, não aditivo; trocá-lo por "e" destrói a oposição entre as duas condições.

A pegadinha está em afirmar que o "mas" tem "sentido aditivo" e que pode ser trocado por "e". No texto, a oração anterior diz que o planeta anão deve obedecer às duas primeiras condições; o "mas" introduz uma exceção/contraste: ao contrário dos planetas "de verdade", o planeta anão não precisa ter órbita livre. Isso é oposição, não soma.

Como ficaria certo: No segmento, a conjunção "mas" está empregada com sentido adversativo, não podendo ser substituída por "e" sem alteração do sentido original.

Fonte: CEBRASPE STM 2025 Analista Judiciário – Área: Administrativa. Reproduzida para fins de estudo.

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