Questão nº 2
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFA-PR 2025 (nº 2)
Referência em gestão fiscal, com superávit de R$ 6,4 bilhões em 2024 e mantendo a nota A+ na classificação máxima de capacidade de pagamento (CAPAG) do Tesouro Nacional pelo segundo ano consecutivo, o estado do Paraná demonstra que mesmo estados bem administrados não estão imunes aos efeitos macroeconômicos. Sua base tributável diversificada — agronegócio, indústria automotiva, energia, combustíveis, logística — também registra desaceleração, especialmente em segmentos sensíveis a juros, como veículos e materiais de construção. O que se pode inferir desse comportamento é que mesmo a gestão fiscal responsável não está imune a choques macroeconômicos, mas prepara o estado para atravessar períodos adversos com menor risco de desequilíbrio.
A experiência de estados como o Paraná, que consolidaram suas finanças públicas e alcançaram as melhores classificações de capacidade de pagamento, oferece lições importantes. A disciplina fiscal em períodos de abundância criou uma margem de segurança para o estado atravessar períodos de menor dinamismo sem rupturas. O controle rigoroso de gastos correntes preserva espaço fiscal para investimentos prioritários. A transparência na gestão orçamentária e o planejamento de longo prazo permitem a antecipação de cenários adversos e a implementação de ajustes graduais, evitando correções abruptas que comprometem a prestação de serviços públicos. Contudo, mesmo para estados bem-preparados, o cenário de 2026 exige postura cautelosa. O fim da fase de abundância não significa crise fiscal, mas demanda prudência nas decisões de gasto e foco na sustentabilidade de longo prazo das finanças públicas estaduais.
Internet: <fazenda.pr.gov.br> (com adaptações).
No primeiro parágrafo do texto CG1A1-I, predomina a tipologia textual
- Adescritiva.
- Bdissertativo-expositiva.
- Cdissertativo-argumentativa. (alternativa correta)
- Dinjuntiva.
- Enarrativa.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Tipologia textual é o "modo de organizar o texto" conforme a intenção do autor. Quando o texto defende uma tese com argumentos e conclusão (não só informa), ele é dissertativo-argumentativo.
- (A) Incorreta: Não há descrição de cenas, objetos ou pessoas com traços sensoriais; o texto analisa fatos econômicos e tira conclusões, não pinta um retrato.
- (B) Incorreta: A armadilha mais tentadora: o texto realmente expõe dados (superávit, nota A+, setores), mas expor dados aqui é só o ponto de partida — o autor vai além e defende uma tese ("mesmo gestão responsável não está imune a choques"). Se fosse só expositivo, terminaria nos dados; como ele interpreta e conclui, é argumentativo.
- (C) Correta: O parágrafo apresenta fatos (superávit, CAPAG A+) e imediatamente os usa como evidência para sustentar uma tese: "mesmo estados bem administrados não estão imunes aos efeitos macroeconômicos". Há argumentação com conclusão explícita ("o que se pode inferir..."), marca típica do dissertativo-argumentativo.
- (D) Incorreta: Não há instruções, ordens ou passo a passo (verbos no imperativo, "faça", "evite"); o texto analisa, não orienta o leitor a agir.
- (E) Incorreta: Não há narrador, personagens, tempo, espaço nem sequência de acontecimentos; não se conta uma história, analisa-se um cenário.
Fonte: CEBRASPE SEFA-PR 2025 Conhecimentos Comuns (Agente Fazendário Estadual). Reproduzida para fins de estudo.