Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE PF 2025 (nº 6)
Muitas obras cinematográficas e séries televisivas são inspiradas ou baseadas em obras literárias. Inúmeros filmes, desde o surgimento do cinema até a atualidade, seguem transpondo para a tela histórias relatadas nos livros, como atesta a crescente quantidade de best-sellers adaptados para o cinema.
Segundo Carlos Gerbase, cineasta e jornalista brasileiro, a prevalência do estilo narrativo é quase natural, visto que as histórias contadas nos livros e nos filmes são uma forma de compreender a vida como uma progressão de acontecimentos. O autor explica que as histórias têm começo, meio e fim e que, nelas, os acontecimentos levam a outros acontecimentos — assim como em nossas vidas. Logo, as narrativas aproximam o público porque este se identifica nelas. Além disso, livros e filmes permitem viagens por diversos mundos e possibilitam reflexões e compreensões, novos conhecimentos e novas experiências.
Ainda de acordo com Gerbase, quando nos identificamos com determinado personagem, aprendemos a como agir socialmente (ou antissocialmente). Nesse sentido, a literatura funciona como uma espécie de guia universal de boas maneiras para a convivência de comunidades às vezes muito diferentes culturalmente.
Histórias sobre a polícia, segundo Jonathan Nichols-Pethick, acadêmico especialista em mídia e cinema, representam mais do que uma disputa entre o bem e o mal. Elas responderiam a algumas das nossas mais prementes preocupações sociais: preocupações sobre como imaginamos e mantemos um senso de comunidade em uma sociedade vasta e muitas vezes alienante, e também sobre como enxergamos os nossos direitos e as nossas responsabilidades como cidadãos.
De acordo com Nichols-Pethick, o sucesso do gênero policial desde a literatura do século XIX, passando pelo cinema e pela televisão, se justificaria por essa relação estabelecida entre a narrativa policial e os indivíduos, que buscam nela sanar suas preocupações com a segurança ou buscar um senso de justiça.
Julgue os itens que se seguem, considerando as ideias, as propriedades linguísticas e o vocabulário do texto precedente.
A supressão da vírgula empregada após "personagem" (primeiro período do terceiro parágrafo) prejudicaria a correção gramatical do texto.
Resposta comentada
O conceito-chave é que a vírgula é obrigatória para isolar o vocábulo denotativo (ou adjunto adverbial) que expressa uma restrição ou ressalva, como "quando nos identificamos com determinado personagem". Sem ela, a oração subordinada adverbial temporal ficaria "grudada" na oração principal, mudando o sentido e quebrando a estrutura sintática esperada, o que gera erro gramatical.
- Correta: Certo. A vírgula após "personagem" isola a oração subordinada adverbial "quando nos identificamos com determinado personagem", que antecede a oração principal "aprendemos a como agir socialmente". Sua supressão eliminaria a pausa obrigatória entre a oração subordinada anteposta e a principal, prejudicando a correção gramatical.
Fica de olho: a banca pode trocar a vírgula por outra pontuação (como travessão ou parênteses) ou inverter a ordem das orações (colocando a principal antes da subordinada). Nesse caso, a vírgula deixaria de ser obrigatória, e o item viraria errado — mas aqui, com a ordem direta anteposta, a vírgula é indispensável.
Fonte: CEBRASPE PF 2025 Conhecimentos Comuns (Escrivão-Agente-Papiloscopista PF). Reproduzida para fins de estudo.