Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE PF 2025 (nº 5)

CEBRASPE2025Comum Escrivão-Agente-Papiloscopista PFLíngua Portuguesa

Muitas obras cinematográficas e séries televisivas são inspiradas ou baseadas em obras literárias. Inúmeros filmes, desde o surgimento do cinema até a atualidade, seguem transpondo para a tela histórias relatadas nos livros, como atesta a crescente quantidade de best-sellers adaptados para o cinema.

Segundo Carlos Gerbase, cineasta e jornalista brasileiro, a prevalência do estilo narrativo é quase natural, visto que as histórias contadas nos livros e nos filmes são uma forma de compreender a vida como uma progressão de acontecimentos. O autor explica que as histórias têm começo, meio e fim e que, nelas, os acontecimentos levam a outros acontecimentos — assim como em nossas vidas. Logo, as narrativas aproximam o público porque este se identifica nelas. Além disso, livros e filmes permitem viagens por diversos mundos e possibilitam reflexões e compreensões, novos conhecimentos e novas experiências.

Ainda de acordo com Gerbase, quando nos identificamos com determinado personagem, aprendemos a como agir socialmente (ou antissocialmente). Nesse sentido, a literatura funciona como uma espécie de guia universal de boas maneiras para a convivência de comunidades às vezes muito diferentes culturalmente.

Histórias sobre a polícia, segundo Jonathan Nichols-Pethick, acadêmico especialista em mídia e cinema, representam mais do que uma disputa entre o bem e o mal. Elas responderiam a algumas das nossas mais prementes preocupações sociais: preocupações sobre como imaginamos e mantemos um senso de comunidade em uma sociedade vasta e muitas vezes alienante, e também sobre como enxergamos os nossos direitos e as nossas responsabilidades como cidadãos.

De acordo com Nichols-Pethick, o sucesso do gênero policial desde a literatura do século XIX, passando pelo cinema e pela televisão, se justificaria por essa relação estabelecida entre a narrativa policial e os indivíduos, que buscam nela sanar suas preocupações com a segurança ou buscar um senso de justiça.

Julgue os itens que se seguem, considerando as ideias, as propriedades linguísticas e o vocabulário do texto precedente.


No segundo período do segundo parágrafo, a oração "que as histórias têm começo, meio e fim" classifica-se sintaticamente como subordinada adjetiva restritiva.

Resposta comentada

Oração subordinada adjetiva é aquela que funciona como um adjetivo, ou seja, caracteriza um substantivo. Ela pode ser restritiva (restringe, delimita o sentido, sem vírgula) ou explicativa (explica, acrescenta uma informação geral, com vírgula). A pegadinha aqui é identificar se a oração realmente está ligada a um substantivo ou se ela é um objeto direto (complemento verbal).

  • Correta: Errado. A oração "que as histórias têm começo, meio e fim" não caracteriza nenhum substantivo; ela completa o sentido do verbo "explica" (explica o quê?), funcionando como subordinada substantiva objetiva direta, não como adjetiva.

No item, o trecho que denuncia o erro é: "classifica-se sintaticamente como subordinada adjetiva restritiva" — pois o "que" aqui é uma conjunção integrante (inicia uma oração que exerce função de objeto), e não um pronome relativo (que iniciaria uma adjetiva).

Como ficaria certo: No segundo período do segundo parágrafo, a oração "que as histórias têm começo, meio e fim" classifica-se sintaticamente como subordinada substantiva objetiva direta.

Fonte: CEBRASPE PF 2025 Conhecimentos Comuns (Escrivão-Agente-Papiloscopista PF). Reproduzida para fins de estudo.

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