Questão nº 34

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE IRBR 2026 (nº 34)

CEBRASPE2026Diplomata (Terceiro Secretário)Língua Portuguesa

Julgue os itens seguintes, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.

Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.

Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade. São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9.


No segundo período, a condição atribuída à crítica integradora — "capaz de mostrar" — evidencia o estabelecimento de uma oposição entre teoria e prática, e aponta para a tentativa do crítico de revelar a dinâmica da transformação do não literário em literário que ocorre no processo da criação artística.

Resposta comentada

O autor diz que sua crítica não quer só enunciar teoricamente (afirmar a tese no abstrato), mas mostrar na prática como a narrativa se constrói a partir de materiais não literários que viram literatura. Ou seja: há uma oposição entre teoria (enunciar) e prática (mostrar/demonstrar), e o crítico quer revelar o processo dessa transformação do real em estrutura estética.

  • Correta: Certo. O "capaz de mostrar" contrapõe-se ao "apenas enunciar teoricamente", configurando a oposição teoria × prática e o propósito de exibir a passagem do não literário ao literário.

Fica de olho: a banca costuma trocar "oposição entre teoria e prática" por "identificação/complementaridade entre teoria e prática" ou dizer que o crítico quer "negar a teoria" — aí o item vira errado, porque o texto não rejeita a teoria, apenas recusa ficar só nela.

Fonte: CEBRASPE IRBR 2026 Diplomata (Terceiro Secretário). Reproduzida para fins de estudo.

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