Questão nº 32
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE IRBR 2026 (nº 32)
Julgue os itens seguintes, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.
Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.
Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade. São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9.
No segundo período, a vírgula empregada após "crítica integradora" destaca a enunciação do sentido dado pelo autor do texto a um ato crítico integrador, que, segundo ele, é aquele que resiste à manipulação dos dados externos, a fim de evitar uma representação distorcida da realidade.
Resposta comentada
A vírgula pode ter várias funções: separar itens de uma lista, isolar um aposto (explicação de um termo anterior), isolar vocativo, marcar oração adjetiva explicativa, etc. Aqui, a vírgula depois de "crítica integradora" isola justamente uma oração adjetiva explicativa — que apenas explica o que é essa crítica —, e não "destaca a enunciação do sentido dado pelo autor".
- Correta: Errado. A vírgula isola uma oração adjetiva explicativa ("capaz de mostrar..."), não "destaca a enunciação do sentido dado pelo autor".
O item erra ao inventar uma função metalinguística ("destaca a enunciação do sentido dado pelo autor") e ainda distorce o conteúdo: o texto diz que a crítica integradora mostra como a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, e não que ela "resiste à manipulação dos dados externos". A palavra-chave que trai o item é "enunciação do sentido dado pelo autor" — pura invenção, nada a ver com a função sintática da vírgula.
Como ficaria certo: No segundo período, a vírgula após "crítica integradora" isola uma oração adjetiva explicativa que caracteriza essa crítica como aquela capaz de mostrar como a narrativa se constitui a partir de materiais não literários.
Fonte: CEBRASPE IRBR 2026 Diplomata (Terceiro Secretário). Reproduzida para fins de estudo.