Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE CÂMARA DOS DEPUTADOS 26 PLF 2026 (nº 6)
Costuma-se descrever a ciência como uma sucessão de descobertas, cada uma atribuída a uma mente excepcional. Essa descrição é mais simples e, por isso, mais confortável. Porém, é incompleta. Ideias científicas não emergem no vazio. Elas dependem de um sistema que contém instrumentos, linguagem e dados acumulados, bem como de comunidades capazes de reconhecer e, principalmente, criticar seus significados. Para que haja um desfecho por orientação vetorial que conduza ao que conhecemos como a consagração de uma teoria, é preciso haver, sobretudo, convergência.
Uma nova ideia pode se aproximar mais da verdade e, ainda assim, permanecer estéril se os vetores do sistema científico não estiverem suficientemente acoplados para absorvê-la. Por outro lado, quando múltiplas linhas de evidência passam a operar de forma coerente, mesmo ideias inicialmente controversas tornam-se inevitáveis.
A consequência é que a história da ciência é menos uma sucessão de lampejos isolados e mais a de sincronizações oriundas de massas de dados e ideias que vão gradualmente se articulando até que o peso de um novo paradigma se torne insustentável.
Julgue os itens seguintes, com base nas ideias e construções linguísticas do texto precedente.
De acordo com o texto, na história da ciência, as sincronizações provenientes de massas de dados e de ideias que, aos poucos, se vão articulando têm mais peso que a sucessão de lampejos.
Resposta comentada
O texto compara duas formas de contar a história da ciência: a visão simplista de que ela é feita de "lampejos" (descobertas isoladas de gênios) e a visão mais completa de que ela é feita de "sincronizações" (articulação gradual de dados e ideias). O autor afirma que a segunda visão é a correta, pois as ideias dependem de um sistema integrado para serem absorvidas e consagradas.
- Correta: Certo. O texto diz explicitamente que "a história da ciência é menos uma sucessão de lampejos isolados e mais a de sincronizações", e que o "peso de um novo paradigma" vem dessas sincronizações, não dos lampejos.
Fica de olho: A banca pode inverter a relação, dizendo que o texto valoriza os lampejos como causa principal das descobertas, ou que as sincronizações são apenas um detalhe secundário — mas o texto as coloca como o fator decisivo e de maior peso.
Fonte: CEBRASPE CÂMARA DOS DEPUTADOS 26 PLF 2026 Técnico Legislativo – Especialidade: Policial Legislativo Federal. Reproduzida para fins de estudo.