Questão nº 14
Questão de Língua Portuguesa · FGV TJ-SE Servidor 2023 (nº 14)
Texto 2 – Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem 15, 30 e 40? (adaptado)
Uma dica: tem a ver com o jeu de paume*, ancestral do tênis atual.*
Por Maria Clara Rossini
A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.
Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede. Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então, tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância da sua posição inicial em vez de 45.
Acontece que também existem registros de jogos de tênis que seguiam a ordem "15, 30 e 45". Um poema escrito no século 15, por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º, da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de Orleães, da mesma época.
Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o "45" é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo. Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.
Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume agradece.
"A principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola." (Texto 2, 1º parágrafo)
Se desconsiderarmos nosso conhecimento de mundo, veremos que o período acima é ambíguo, isto é, apresenta mais de um sentido.
A alternativa em que o acréscimo de uma ou mais vírgulas desfaz essa ambiguidade e preserva apenas o sentido desejado pela autora é:
- AA principal diferença, entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola;
- BA principal diferença, entre os dois, é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola;
- CA principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente, os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola;
- DA principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão, mesmo para rebater a bola;
- EA principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo, para rebater a bola. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
As vírgulas são usadas para separar elementos na frase, o que pode ajudar a clarificar o sentido e desfazer ambiguidades. A ambiguidade na frase original reside na palavra "mesmo", que pode significar "de fato/realmente" (intensificador) ou "apenas/somente" (advérbio de exclusão).
- (A) Incorreta: A vírgula após "diferença" e antes de "é que" está incorreta, pois separa o sujeito do verbo e o verbo da oração subordinada substantiva. Não resolve a ambiguidade de "mesmo".
- (B) Incorreta: As vírgulas isolando "entre os dois" são gramaticalmente possíveis se for um adjunto adnominal explicativo, mas as vírgulas antes de "é que" estão incorretas. Não resolve a ambiguidade de "mesmo".
- (C) Incorreta: A vírgula após "antigamente" é gramaticalmente correta (isolando um advérbio deslocado), mas não desfaz a ambiguidade de "mesmo".
- (D) Incorreta: A vírgula antes de "mesmo para rebater a bola" altera o sentido de "mesmo". Nesta construção, "mesmo" passa a significar "inclusive" ou "até mesmo" (como em "Ele comeu a fruta, mesmo estragada"), indicando "mesmo para o propósito de rebater a bola". Isso muda a intenção da autora, que é descrever o que era usado, não adicionar uma condição. Essa é a armadilha da banca: a vírgula aqui muda a função e o sentido de "mesmo".
- (E) Correta: A vírgula após "mão mesmo" isola a oração adverbial de finalidade "para rebater a bola". Ao fazer isso, "a mão mesmo" se torna uma unidade semântica clara, onde "mesmo" funciona como um intensificador (significando "a própria mão" ou "a mão de fato/realmente"). Essa pontuação desfaz a ambiguidade, eliminando a interpretação de "mesmo" como "apenas" e preservando o sentido de que eles usavam a mão de fato, em contraste com a raquete, que é a intenção da autora.
Fonte: FGV TJ-SE Servidor 2023 Conhecimentos Comuns (Técnico) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.