Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FGV TJ-AP 2024 (nº 5)
Um romance mostra o seguinte segmento:
“Eu pergunto que tipo de história a menina deseja. Ela responde categoricamente que quer uma história de amor e de ficção científica. Então, comecei: ‘Um robô encontra uma jovem...’ Mas ela não me deixa prosseguir. ‘Você não sabe contar histórias’, disse ela. Uma verdadeira história é obrigatoriamente no passado.
- Tá bom, se você quer: “Um robô encontrou uma jovem...”
- Não, tem que ser no passado histórico...
- Bom, lá vai: “Outrora, há muito tempo, um robô muito inteligente, ainda que totalmente metálico, encontrou num baile uma jovem da nobreza. Eles dançaram e ele lhe disse coisas gentis. Ela ficou corada. Ele se desculpou e recomeçaram a dançar. Ela o achou um pouco ousado, mas encantador... Eles se casaram pouco tempo depois, receberam muitos presentes e partiram em viagem de lua de mel.”
Sobre esse fragmento narrativo, é correto afirmar que:
- Ao aspecto de ficção científica da história narrada se restringe ao personagem robô e a suas ações mecânicas;
- Ba observação de que uma história deve obrigatoriamente ser narrada no passado é verdadeira, mostrando o conhecimento textual da menina;
- Co passado histórico solicitado pela menina foi realizado por meio de expressões de tempo distante e de ambientes literariamente idealizados; (alternativa correta)
- Do texto narrativo produzido pelo narrador mostra a preocupação de limitar-se ao absolutamente essencial do enredo;
- Eo narrador da versão final da história mostra preocupações de usar a linguagem informal, adequada à pouca idade da leitora.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave aqui é que as escolhas de tempo verbal (presente, passado simples, passado distante) e os elementos de cenário (ambiente, personagens) em uma história são fundamentais para criar o tom, a atmosfera e o tipo de narrativa que se deseja, como um "passado histórico" ou um "conto de fadas".
- (A) Incorreta: O robô é o elemento de ficção científica, mas suas ações ("disse coisas gentis", "se desculpou", "dançaram") não são restritas a serem mecânicas; são ações com conotação humana e emocional.
- (B) Incorreta: A afirmação da menina de que uma história obrigatoriamente deve ser narrada no passado não é verdadeira em termos de teoria narrativa, pois muitas histórias são contadas no presente. A armadilha é que, no senso comum, muitas histórias são de fato contadas no passado, levando o aluno a concordar com a menina. No entanto, narrar no presente é uma escolha estilística válida e comum.
- (C) Correta: A versão final da história utiliza "Outrora, há muito tempo" (expressões de tempo distante) e elementos como "baile", "jovem da nobreza" (ambientes que remetem a um passado idealizado, quase de conto de fadas), atendendo à solicitação de "passado histórico".
- (D) Incorreta: O narrador adiciona detalhes como "ainda que totalmente metálico", "disse coisas gentis", "Ela ficou corada", "Ele se desculpou", "Ela o achou um pouco ousado, mas encantador", "receberam muitos presentes e partiram em viagem de lua de mel", que enriquecem a narrativa e não se limitam ao essencial.
- (E) Incorreta: A linguagem empregada na versão final ("Outrora", "nobreza", "corada", "ousado, mas encantador") é mais formal e literária, buscando um tom específico de romance ou conto, e não uma linguagem informal adequada à pouca idade.
Fonte: FGV TJ-AP 2024 Conhecimentos Comuns (Apoio Especializado) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.