Questão nº 23
Questão de Atualidades · FGV PM-CE 2021 (nº 23)
A entrada das mulheres na Polícia Militar se deu junto com o processo de redemocratização do país. A respeito da participação feminina na corporação, leia o trecho da entrevista de Tatiana Lima, Capitã da Polícia Militar do Rio de Janeiro, a seguir.
Eu entrei em 2008, fiz a academia, me formei em 2010 e fui trabalhar nas ruas. Eu peguei um momento em que a entrada das mulheres nas UPPs foi muito valorizada, pois a imagem das policiais femininas ajudou muito na pacificação. A gente precisava do diálogo com a comunidade e as mulheres por serem mais humanas e acolhedoras conseguiram abrir esse espaço. Então, externamente foi bom. Internamente, principalmente nas missões operacionais, o preconceito continuou. A mulher continua sendo vista como mais fraca. Em uma operação com emprego de armas longas utilizadas em massa, sempre duvidam da performance da mulher. Hoje as mulheres estão começando a mostrar de forma positiva que também querem ocupar esse espaço. O importante é treinar e tentar igualar a eficiência da resposta física, apesar dos homens terem uma genética mais favorável. Tudo é treino.
Adaptado de https://www.nexojornal.com.br/profissoes/2021/04/16
Segundo o testemunho da entrevistada, assinale a afirmativa correta.
- AA isonomia de fato entre homens e mulheres na PM foi atingida, por isso a participação feminina está aumentando.
- BO cargo de PM é incompatível com o gênero feminino, por envolver situações de confronto violento.
- CA atuação feminina na PM é válida, mas deve ser direcionada preferencialmente para missões de pacificação.
- DO preparo físico é fundamental para o serviço operacional, independente do gênero. (alternativa correta)
- EO espaço para a mulher na PM é reduzido, tanto em ações de confronto quanto em atividades de relações públicas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O conceito-chave aqui é que, embora as mulheres tragam qualidades valorizadas para a segurança pública (como o diálogo), elas ainda enfrentam preconceito e a necessidade de comprovar sua capacidade em todas as áreas, especialmente nas operacionais, onde o preparo físico é visto como essencial para todos.
- (A) Incorreta: O texto afirma que "o preconceito continuou" e que a mulher "continua sendo vista como mais fraca" em missões operacionais, o que contradiz a ideia de "isonomia de fato" (igualdade real) ter sido atingida.
- (B) Incorreta: A entrevistada menciona que as mulheres "estão começando a mostrar de forma positiva que também querem ocupar esse espaço" e que "tudo é treino" para igualar a eficiência física, indicando que o cargo não é incompatível, mas sim que há desafios a serem superados.
- (C) Incorreta: Armadilha da banca! Embora o texto diga que a atuação feminina foi "muito valorizada" na pacificação e diálogo, ele também ressalta que as mulheres "também querem ocupar esse espaço" (referindo-se às missões operacionais) e enfrentam preconceito nessas áreas. A alternativa sugere uma limitação ("deve ser direcionada preferencialmente") que vai contra a busca por igualdade de espaço e superação de preconceitos mencionada pela Capitã.
- (D) Correta: O trecho final da entrevista afirma: "O importante é treinar e tentar igualar a eficiência da resposta física, apesar dos homens terem uma genética mais favorável. Tudo é treino." Isso evidencia que o preparo físico ("treinar") é crucial para a "eficiência da resposta física" (serviço operacional), e que isso se aplica a todos, independentemente do gênero, através do treinamento.
- (E) Incorreta: O texto explicitamente diz que a entrada das mulheres nas UPPs foi "muito valorizada" e que elas "conseguiram abrir esse espaço" nas atividades de diálogo e pacificação (relações públicas), o que contradiz a afirmação de que o espaço para a mulher é reduzido nessas atividades.
Fonte: FGV PM-CE 2021 Soldado Policial Militar (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.