Questão nº 7
Questão de Português · FGV MPRJ 2025 (nº 7)
FGV2025Comum Técnico do Ministério PúblicoPortuguês
Gabarito: Cver comentário ↓
Muitas vezes perdemos a confiança nos argumentos de uma pessoa por verificar que ela produz argumentos falsos por razões pessoais pouco dignas.
É o que acontece no seguinte exemplo:
- AHouve enormes filas nos cinemas para ver Indiana Jones; esse foi um grande filme.
- BSegundo Rosa, a melhor alimentação que existe é a vegetariana, mas suas opiniões não são válidas, pois ela é carnívora.
- CO Senador sustenta que o feminicídio deve ser condenado com a pena máxima; uma irmã do Senador foi morta e por isso ele é tão rigoroso. (alternativa correta)
- DNecessita-se para o emprego de alguém com bons antecedentes, mas como João não apresentou documentos, ele não está apto para o emprego.
- EMeu primo está nos propondo um negócio, mas não deve ser bom negócio porque ele é muito ignorante.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A falácia em questão ocorre quando desqualificamos um argumento não por sua lógica, mas por atribuir a quem o defende motivos pessoais questionáveis ou tendenciosos, sugerindo que a pessoa está sendo parcial ou hipócrita.
- (A) Incorreta: Trata-se de uma falácia de apelo à popularidade (ad populum), onde a qualidade do filme é inferida pela quantidade de pessoas que o assistiram, e não por motivos pessoais do argumentador.
- (B) Incorreta: Esta é uma falácia tu quoque (você também) ou ad hominem circunstancial por hipocrisia. A validade da opinião de Rosa é atacada por sua inconsistência pessoal (ser carnívora), e não porque ela produziu um argumento falso por uma razão pessoal "pouco digna" no sentido de viés motivacional. É um forte distrator, pois envolve razões pessoais, mas o foco é na contradição, não na motivação oculta/tendenciosa que gera o argumento.
- (C) Correta: O argumento do Senador (feminicídio com pena máxima) é desqualificado ou sua credibilidade é posta em xeque não por seu mérito, mas por ser atribuído a uma razão pessoal (a morte da irmã). A implicação é que seu rigor é motivado por vingança ou dor pessoal, e não por justiça objetiva, o que se encaixa perfeitamente em "perdemos a confiança nos argumentos de uma pessoa por verificar que ela produz argumentos falsos por razões pessoais pouco dignas" (a "pouco digna" aqui é a parcialidade ou o viés emocional que compromete a objetividade do argumento).
- (D) Incorreta: Não há falácia aqui. É uma dedução lógica baseada em um requisito estabelecido (bons antecedentes e apresentação de documentos).
- (E) Incorreta: Esta é uma falácia ad hominem abusivo. O argumento do primo é desqualificado por um ataque à sua inteligência ("muito ignorante"), e não por uma razão pessoal "pouco digna" que o teria levado a produzir um argumento específico.
Fonte: FGV MPRJ 2025 Conhecimentos Comuns (Técnico do Ministério Público) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.