Questão nº 1

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT6 2018 (nº 1)

FCC2018Técnico Judiciário – Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, considere o texto abaixo.

O jornalismo pode ser qualificado, embora com certo exagero, como um mal necessário. É um mal porque todo relato jornalístico tende ao provisório. Mesmo quando estamos preparados para abordar os assuntos sobre os quais escrevemos, é próprio do jornalismo apreender os fatos às pressas. A chance de erro, sobretudo de imprecisões, é grande.

O próprio instrumento utilizado é suspeito. Diferente da notação matemática, que é neutra e exata, a linguagem se presta a vieses de todo tipo, na maior parte inconscientes, que refletem visões de mundo de quem escreve. Eles interagem com os vieses de quem lê, de forma que, se são incomuns textos de fato isentos, mais raro ainda que sejam reconhecidos como tais.

Pertenço a uma geração que não se conformava com as debilidades do relato jornalístico. O objetivo daquela geração, realizado apenas em parte, era estabelecer que o jornalismo, apesar de suas severas limitações, é uma forma legítima de conhecimento sobre o nível mais imediato da realidade.

O que nos remete à questão do início; sendo um mal, por que necessário? Por dois motivos. Ao disseminar notícias e opiniões, a prática jornalística municia seus leitores de ferramentas para um exercício mais consciente da cidadania. Thomas Jefferson pretendia que o bom jornalismo fosse a escola na qual os eleitores haveriam de aprender a exercer a democracia.

O outro motivo é que os veículos, desde que comprometidos com o debate dos problemas públicos, servem como arena de ideias e soluções. O livre funcionamento das várias formas de imprensa, mesmo as sectárias e as de má qualidade, corresponde em seu conjunto à respiração mental da sociedade.

Entretanto, o jornalismo dito de qualidade sempre foi objeto de uma minoria. A maioria das pessoas está de tal maneira consumida por seus dramas e divertimentos pessoais que sobra pouca atenção para o que é público. Desde quando os tabloides eram o principal veículo de massas, passando pela televisão e pela internet, vastas porções de jornalismo recreativo vêm sendo servidas à maioria.

O jornalismo de verdade, que apura, investiga e debate, é sempre elitista. Está voltado não a uma elite econômica, mas a uma aristocracia do espírito. São líderes comunitários, professores, empresários, políticos, sindicalistas, cientistas, artistas. Pessoas voltadas ao coletivo.

A influência desse tipo de jornalismo sempre foi, assim, mediada. Desde que se tornou hegemônico, nos anos 1960-70, o jornalismo televisivo se faz pautar pela imprensa. Algo parecido ocorre agora com as redes sociais.

A imprensa, que vive de cobrir crises, sempre esteve em crise. O paradoxo deste período é que, no mesmo passo em que as bases materiais do jornalismo profissional deslizam, sua capacidade de atingir mais leitores se multiplica na internet, conforme se torna visível a perspectiva de universalizar o ensino superior.

(Adaptado de: FILHO, Otavio Frias. Disponível em: www.folha.uol.com.br)


Depreende-se corretamente do texto:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O conceito-chave aqui é que o autor apresenta o jornalismo como um "mal necessário", reconhecendo suas limitações intrínsecas (os "males") ao mesmo tempo em que destaca sua importância fundamental (a "necessidade") para a sociedade.

  • (A) Incorreta: O texto afirma que o objetivo da geração do autor foi "realizado apenas em parte" (parágrafo 3), e não "infrutífero" ou "utópico". Pelo contrário, o autor defende a necessidade do jornalismo para a cidadania (parágrafo 4).
  • (B) Incorreta: O parágrafo 2 deixa claro que a linguagem, instrumento do jornalismo, "se presta a vieses de todo tipo", tornando "incomuns textos de fato isentos", o que se aplica a todo tipo de jornalismo, inclusive o investigativo, e não apenas ao de entretenimento.
  • (C) Incorreta: O texto (parágrafo 8) menciona que o jornalismo televisivo "se faz pautar pela imprensa" e que "algo parecido ocorre agora com as redes sociais", indicando uma influência ou pauta, mas não afirma que o jornalismo televisivo está perdendo audiência devido à popularidade das mídias sociais.
  • (D) Correta: O primeiro parágrafo descreve o jornalismo como um "mal" porque "tende ao provisório" e apreende os fatos "às pressas", resultando em "chance de erro, sobretudo de imprecisões". O segundo parágrafo adiciona que a linguagem "se presta a vieses de todo tipo", refletindo visões de mundo, o que caracteriza a subjetividade. Todas essas são apresentadas como questões problemáticas e inerentes ao jornalismo.
  • (E) Incorreta: O texto (parágrafo 6) diz que pessoas que consomem jornalismo recreativo têm "pouca atenção para o que é público", mas não afirma que elas "desconsideram os problemas da coletividade" nem que o jornalismo recreativo se baseia em "fatos de difícil comprovação". Apenas o contrapõe ao jornalismo que "apura, investiga e debate".

Fonte: FCC TRT6 2018 Técnico Judiciário – Área Administrativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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