Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT5 2022 (nº 5)

FCC2022Comum Área Administrativa e Apoio Especializado TRT5 2022Língua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Atenção: Leia o trecho inicial do conto "Pai contra mãe", de Machado de Assis, para responder às questões de números 1 a 5.

A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço; outro, o ferro ao pé. Havia também a máscara de folha de flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dois para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber, perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dois pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.

O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também, à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pegado.

Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. A fuga repetia-se, entretanto. Casos houve, ainda que raros, em que o escravo de contrabando, apenas comprado no Valongo, deitava a correr, sem conhecer as ruas da cidade. Dos que seguiam para casa, não raro, apenas ladinos, pediam ao senhor que lhes marcasse aluguel, e iam ganhá-lo fora, quitandando.

Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a quem lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os sinais do fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o bairro por onde andava e a quantia de gratificação. Quando não vinha a quantia, vinha promessa: "gratificar-se-á generosamente", – ou "receberá uma boa gratificação". Muita vez o anúncio trazia em cima ou ao lado uma vinheta, figura de preto, descalço, correndo, vara ao ombro, e na ponta uma trouxa. Protestava-se com todo o rigor da lei contra quem o acoutasse.

(Adaptado de: Assis, Machado de. 50 contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007)


Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a quem lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os sinais do fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o bairro por onde andava e a quantia de gratificação. (4º parágrafo)

Os termos sublinhados acima constituem, respectivamente,

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Preposições são palavras invariáveis que ligam dois termos, estabelecendo uma relação de sentido entre eles. Artigos são palavras que antecedem os substantivos para determiná-los ou indeterminá-los. Pronomes são palavras que substituem ou acompanham substantivos, indicando as pessoas do discurso ou situando-os no tempo e espaço.

Análise dos termos:

  1. "a quem lho levasse": O "a" introduz o objeto indireto do verbo "dava", sendo, portanto, uma preposição.
  2. "se o tinha": O "o" substitui o substantivo "defeito físico" e funciona como objeto direto do verbo "tinha", sendo, portanto, um pronome oblíquo átono.
  3. "e a quantia": O "a" antecede e determina o substantivo feminino "quantia", sendo, portanto, um artigo definido.

A) Incorreta: O segundo termo ("o") é um pronome, não um artigo. O terceiro termo ("a") é um artigo, não um pronome.
B) Incorreta: O primeiro termo ("a") é uma preposição, não um pronome. O terceiro termo ("a") é um artigo, não um pronome.
C) Incorreta: O primeiro termo ("a") é uma preposição, não um artigo.
D) Incorreta: O primeiro termo ("a") é uma preposição, não um pronome.
E) Correta: O primeiro "a" é uma preposição (introduz o objeto indireto "a quem lho levasse"). O "o" é um pronome (substitui "o defeito físico" e funciona como objeto direto). O segundo "a" é um artigo (determina o substantivo "quantia"). A armadilha da banca reside em confundir o pronome oblíquo átono "o" (que substitui um substantivo e funciona como objeto direto) com o artigo definido "o" (que acompanha e determina um substantivo). No trecho "se o tinha", o "o" não está acompanhando um substantivo explícito, mas sim retomando "o defeito físico" que já foi mencionado, funcionando como objeto direto do verbo "tinha".

Fonte: FCC TRT5 2022 Conhecimentos Comuns (Área Administrativa e Apoio Especializado TRT5 2022) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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